Você está em
Home > Notícias > COMPONEDORES DE CONCENTRADOS SUPERANDO A PANDEMIA

COMPONEDORES DE CONCENTRADOS SUPERANDO A PANDEMIA

Fonte: Plásticos em Revista

Tem cor de superação.

Por que os componedores de concentrados não estão sucumbindo ao corona

Agosto não é mais o mês do desgosto. Passado o auge da pandemia, todos os mercados de resinas reabriram ao mesmo tempo no período, incluso o Brasil. A demanda crescente em várias regiões do mundo, emitindo sinais iniciais de ressureição da economia, atesta monitoramento de preços internacionais da consultoria Platt’s, tem pressionado por indigestos reajustes nas cotações dolarizadas dos termoplásticos commodities, nas pegadas de sua oferta refreada. No mercado brasileiro, falam por si a produção local insuficiente de PVC e polietileno de baixa densidade (PEBD) e o noticiado suadouro de importadores para conseguir embarques de matérias-primas como grades de polietileno de alta densidade (PEAD) para filmes e determinados tipos de polipropileno (PP).

O quadro no Brasil ainda não reflete uma recuperação em V do consumo, mas as brasas reacendidas de uma demanda dormente no primeiro semestre agem feito testosterona na veia da cadeia plástica. E se o plástico é o termômetro extraoficial da economia, pois está para existir mercado no qual não compareça, masterbatches de cores e aditivos são o aplicativo contador dos passos dele – corda e caçamba.

Estorvo cambial
O mercado anda aquecido e com baixa oferta de matéria-prima”, confirma Paulo Martins, gestor da componedora Actplus, controlada da distribuidora Activas. Conforme explica, sua carteira de clientes é bastante segmentada e em torno de 50% dos pedidos provêm de transformadores de embalagens de alimentos e de produtos médico-hospitalares. “Apesar do aumento de negócios para esses dois redutos, o saldo ainda não compensou a baixa demanda por nossos concentrados para bens duráveis”, constata Martins. “A economia começou a recuperar em junho e, em meados de julho, as vendas para os segmentos de autopeças e eletroeletrônicos começaram a emergir. A retomada aos níveis pré-pandemia deve acontecer em breve”.

Mas há uma diferença entre um clima desanuviado e um mar de rosas, deixa claro Martins ao debruçar-se sobre o dólar cotado a R$ 4,05 em janeiro e na faixa de R$ 5,65 na segunda quinzena de agosto. “A indústria de masters foi muito afetada pelo câmbio, pois pigmentos e aditivos são importados e incidem bastante nos custos de produção”, reitera o gestor da Actplus, inserindo como complicador adicional o risco de desabastecimento no primeiro semestre, devido à quarentena e fechamento de portos na China, maior fonte global de pigmentos. “Partimos então para reavaliar procedimentos, custos e alternativas de matéria-prima para as formulações e assim alinhamos as previsões de suprimento com os fornecedores sem deixar de atender os clientes”, esclarece Martins. “Os preços dos masters foram reajustados, mas reduzimos com estas medidas o impacto dos aumentos para os compradores”.

Um ponto positivo para a Actplus nesse turbilhão, aponta o dirigente, foi a conquista de clientes em busca de alternativa de fornecedor, reação à subida generalizada nos preços de masters na praça. Outra boa nova, insere o gestor, amparada no enxugamento de custos e sustentabilidade, foi o aumento de recicladores na carteira da Actplus, atrás de masters adequados à incorporação em polímeros pós-consumo na etapa da extrusão. Martins também ressalta o interesse de clientes, vislumbrando oportunidades na marola da covid-19, por master com antimicrobiano base prata para uso em filmes e pisos. “São produtos caros e sua procura pode ser abalada após a chegada da vacina”, pondera Martins.

Como em poucas vezes em seu histórico, o balanço do setor de masters depende este ano dos produtos finais essenciais, confirma Martins. “O desemprego recorde afeta mais as classes de baixa renda, cujos recursos vão prioritariamente para alimentação e saúde”, pondera o gestor. “Ao abrir mão de itens não essenciais, essa parcela da população esfria o consumo de masters de maior valor agregado, a exemplo dos tipos néon, fluorescentes e com glitters, empregados em artigos para festa. A procura por eles começou a reerguer em agosto, mas com um pique bem abaixo de antes do corona”.

Efeitos especiais em recesso
José Fernandes Basílio, diretor comercial da componedora Cromaster, observa que o volume de consumo de masters em produtos essenciais sempre ganhou dos bens duráveis, efeito também do alto giro dos estoques, como se nota desde a quarentena. “Devido ao desemprego alto, as compras de bens duráveis pendem para o segundo plano, ainda mais depois da ressaca na economia deflagrada pelo isolamento social”, ele argumenta. “Já os gêneros de primeira necessidade ganharam impulso nesse cenário e com o acréscimo ao consumo da parcela da população contemplada pelo governo com o auxílio emergencial”.

Em decorrência desse quadro, Fernandes percebe que, com as vendas de produtos essenciais mais balizadas por preço sob o poder aquisitivo hoje descarnado, a produção de embalagens redobra a busca por custos mais competitivos. “Isso reduz a incidência de características mais nobres em certos casos, a exemplo da retirada ou diminuição no uso de materiais de efeito, como perolados, fluorescentes e glitters”, ele ilustra. A explicação é a mesma, ele completa, para – também em linha com o alvoroço ambiental – a notada atração do mercado por paredes finas e pelo uso de resinas recicladas nas embalagens.

Com foco primordial em masters para embalagens, a Cromaster se mexe para conciliar custos com o dólar volátil e encarecedor de insumos importados como colorantes e agentes auxiliares. “Os preços desses produtos são atrelados ao dólar e sua variação diária prejudica a consistência dos custos”, entende Fernandes. “Ela preserva o gasto do importador, mas recai sobre o custo do comprador local, pois ele vende em real seu master com insumos dolarizados e a maioria dos clientes não aceita repasses dessa ordem e constância. O momento de elevar alguns preços é quando os polímeros são reajustados, pois todos então reconhecem que os aumentos realmente existem”. Para atenuar esse sufoco, Fernandes conta que sua empresa aderiu às compras externas diretas, zerando o custo adicional do importador local. Outra saída foi escancarar os custos para o cliente, ele encaixa, num trabalho conjunto para aliar a necessidade de reduzir gastos sem comprometer o desempenho para as formulações em vista.

A pandemia não inspirou lançamentos na Cromaster. “Mas os clientes nos tem levado a destacar no nosso catálogo concentrados capazes de maior poder chamativo para as embalagens nas prateleiras e a preços mais competitivos sob o câmbio atual”, considera Fernandes. Em paralelo, a Cromaster também acena com linhas de concentrados antibacteriano e antiviral. “Firmamos parceria com a TNS Nanotecnologia”, ressalta o componedor. “Seus aditivos em nano-partículas, como Protec-20, inibem a permanência e proliferação de bactérias e vírus nus (não envelopados) e envelopados (encapsulados) em superfícies”.

Cores identificadas por app
O temor de contágio do corona incendia o uso generalizado de ferramentas digitais para abolir encontros e eventos presenciais e simplificar e abreviar projetos e negociações. No setor de masters, um ponto fora da curva nesses atalhos virtuais é a componedora Colorfix. “Estamos desenvolvendo a segunda plataforma para venda de masters a partir do nosso aplicativo Color ID”, adianta o diretor Francielo Fardo. Lançado há dois anos e com mais de 3.000 padrões de cores cadastrados, o app lê as cores de superfícies de objetos reais e as decodifica no catálogo da Colorfix no celular do cliente. “A ferramenta tem nos ajudado muito nessa fase de pandemia”, atesta o dirigente.

Na contramão de vários componedores, Fardo não constata declínio na procura por seus masters de efeitos especiais, para aprimorar a qualidade ou o visual de embalagens, resultado do foco atual em preço demonstrado pelo consumidor-padrão na compra dos produtos essenciais. “Vejo nossos clientes mais preocupados com certificações, pois a pandemia aumentou a busca por produtos credenciados pelos órgãos de saúde pública”. Quanto aos segmentos atendidos pela Colorfix, o diretor julga que suas vendas de masters para embalagens de produtos de primeira necessidade não foram suficientes para compensar o recuo nas formulações para peças de bens duráveis de janeiro a junho. “Já no início deste semestre, o movimento de masters para produtos não essenciais voltou aos volumes pré-pandemia”, ele percebe.

Para resguardar seus custos do dólar caro e irrequieto, Fardo conta ter repaginado sua linha de trabalho com ingredientes importados. “Reduzimos o armazenamento dos insumos, para consumir o estoque regular e baixar o impacto do custo médio, e diminuímos as importações diretas em prol das compras de produtos nacionalizados em volumes menores e com melhores condições de preços e prazos”.

Preto no verde

Fruto de dois anos de desenvolvimento na surdina, a série rC-Black da Cromex, formada por masters contendo negro de fumo 100% recuperado de pneus, já toma corpo na praça em filmes, frascos, tampas, solados, geomembranas, componentes automotivos e injetados em geral. “Constam de concentrados pretos de alto poder tintorial, dispersão, opacidade, brilho e resistência à luz UV”, descreve o especialista de produto Giovanni Polese Dias. “Não são adequados ao uso em embalagens em contato direto com alimentos”. A nova linha com aura verde de sustentabilidade agrupa nove grades, delimita o executivo. Três deles são produtos em polietileno (RCB-PR 15920, 15921 e 15922), um em polipropileno (RCB-PR 15919), um em poliestireno (RCB-PR 15918), um em poliamida (RCB-PR 15917), um em copolímero de acrilonitrila butadieno e estireno (RCB-PR 15916), um em etileno acetato de vinila (RCB-PR 15923) e o último em PET (RCB-PR15924). Dias admite a possibilidade de esses eco masters serem empregados no desenvolvimento de cores específicas solicitadas. “Por sinal, fornecemos aos clientes o selo rC-Black para suas campanhas de marketing”, completa o especialista.

Exportações intercompany
Com fábricas de masters na Bahia e São Paulo, a operação no país da componedora norte-americana Ampacet também teve de acertar o passo com os coices do dólar. “Para atenuar o impacto do câmbio instável nos custos dos insumos importados, reforçamos os estoques reguladores de materiais estratégicos como forma de mitigar riscos de suprimento. As chegadas mais regulares de importações também aliviaram a situação”, relatam Claudia Kaari e Eliton da Silva, respectivamente gerentes dos negócios estratégicos de rígidos e flexíveis na América Latina. O imobilismo social bafejou a procura dos masters da Ampacet para embalagens de alimentos, produtos de limpeza e de cuidados pessoais, mas retraiu o movimento para os segmentos automotivo, de lubrificantes e construção, expõem os dois executivos. “Parte do impacto foi reduzido com o aumento da demanda de concentrados para produtos essenciais e com exportações intercompany para a América Latina”, eles assinalam.

Seja por corte nos custos ou apelo ambiental, várias formulações da Ampacet têm deslanchado no Brasil sob influência da pandemia. Claudia Kaari e Eliton da Silva exemplificam com soluções como Equal-PCR, Color Tune-PCR, REC-Nir-Black e BlueEdge. “Melhoram as propriedades visuais de plásticos reciclados, contribuindo para garantir a estabilidade de cor entre lotes e facilitam os processos automatizados de reciclagem”, eles explicam. No embalo, Claudia e Eliton ressaltam a receptividade encontrada pelo portfólio Econoblend de cores para pronta entrega. Entre as vedetes do momento em aditivos, eles selecionam o antiestático 100977-S, talhado para aplicações complexas em produtos em pó e embalagens de alimentos; os compatibilizantes ReVive para viabilizar a reciclagem de produtos multimaterial e, ainda para polímeros reciclados, os sequestradores de umidade Dry-PCR; o agente Oxid-PCR, redutor de amarelamento, géis e impactos no índice de fluidez e o tipo Odor-Free-PCR, dissipador de odores do refugo plástico pós-consumo. Na raia dos aditivos bactericidas, os dois gerentes distinguem a tecnologia Germclean, já empregada aqui em eletroportáteis de cozinha e em embalagens de alimentos e bebidas. “Muitas oportunidades descortinadas pela pandemia para este auxiliar estão sendo trabalhadas, caso de protetores faciais, máscaras, roupas, equipamentos de academia e aplicações no interior de veículos”, acenam Cláudia e Eliton.

Assepsia vende
A Termocolor também não dorme no ponto e agregou aditivos antivirais a seu mix, onde já constavam agentes bactericidas. “São produtos que oferecem mais segurança ao consumidor final e tendem a ser decisivos para concretizar a compra”, aposta Wagner Catrasta, gerente comercial para a América Latina. Entre os mercados já arrebatados para esses materiais auxiliares, o executivo distingue agrofilmes, embalagens flexíveis, artigos de limpeza doméstica e higiene pessoal e, óbvio, produtos médico-hospitalares. No embalo, Catrasta ressalta as portas encontradas abertas para seus masters verde, azul e branco em nãotecidos de PP para aventais hospitalares e para versões brilhantes de rosa, amarelo, azul e vermelho em frascos de desinfetantes e aromatizantes de ambientes.

A carteira da Termocolor demonstra que a rédea puxada pelo corona nas vendas de masters para bens duráveis foi, até o momento, compensada pela procura esbraseada por soluções para produtos essenciais. Neste compartimento, Catrasta destaca, além do reduto de embalagens para delivery, o recorde de pedidos de concentrados para produtos de limpeza doméstica e hospitalar. No plano geral, ele nota, as cores mais solicitadas são as básicas, mas chama atenção a procura por branco em recipientes de produtos de limpeza.


Diante da colisão dos insumos importados com a valorização e irritabilidade do dólar, a Termocolor tem negociado com clientes a partilha da absorção desse ônus. O mesmo entendimento é buscado pela empresa junto a fornecedores internacionais de pigmentos e aditivos. “Nesse caso, a negociação, já perturbada pelos aumentos do dólar, é dificultada pela escassez de materiais provocada pelo corona”,acentua Catrasta.

Jogo aberto
Cesar Ortega, diretor comercial da Cromex, percebe constante, desde julho, a lenha baixada pelo câmbio no acesso aos insumos importados. “Tivemos casos em que a troca de produtos atenuou o impacto do dólar, mas não há o que fazer em formulações dependentes de insumos específicos e insubstituíveis”. A melhor forma de desatar esse nó, ele defende, é expor o quadro com transparência a compradores e parceiros e montar um caminho comercial satisfatório para os dois lados. Mas mesmo antes da pandemia, salienta Ortega, a Cromex já cultivava um modelo de gestão que a tem contemplado com a manutenção, a salvo dos efeitos do corona, com o fluxo regular das matérias-primas que utiliza. “Mantivemos assim todos os clientes abastecidos, sem ruptura de fornecimento”, ele frisa.

No plano geral, nota Ortega, os volumes de vendas caíram. No entanto, em evidente alusão a produtos finais essenciais, ele reconhece que determinados segmentos têm demandado mais nesta fase da covid-19 do que no mesmo período em 2019. “Mesmo assim, o movimento está aquém das nossas projeções de crescimento para este ano traçadas antes da pandemia”.

Na fase inicial do contágio, assinala o diretor, despontaram as vendas de masters commodities. “Mas desde junho notamos um retorno da procura por cores e efeitos especiais”. Neste último compartimento, Ortega chama a atenção para as consultas de interessados em bactericidas. “Os clientes estão associando muito o problema da covid-19 ao uso de agentes antimicrobianos e, infelizmente, tratam-se de coisas diferentes”, sustenta. “Bactérias e fungos são micro-organismos celulares, para os quais o antimicrobiano funciona. Já o vírus possui mecanismo distinto, razão pela qual estamos às voltas com um desenvolvimento específico para aditivos viricidas”.

Obras em casa
A caça febril no mercado por soluções de assepsia também repercute na carteira da componedora Karina. “Nossos masters com bactericida e antiviral têm sido procurados para, por exemplo, peças injetadas de eletrodomésticos”, indica o gerente de vendas Edson Penido, sublinhando o empenho da empresa em atender à regulamentação da saúde pública. “Entretanto, esclarecemos aos clientes que esse tipo de formulação não acaba com os problemas trazidos pela crise sanitária”.

Vendas acesas de produtos essenciais têm aumentado o movimento de masters da Karina para embalagens. Mas Penido comenta que, na seara dos bens duráveis, a pandemia não encolheu a procura de produtos para materiais de construção. “A quarentena tem estimulado as reformas residenciais, tal como a compra de eletroportáteis como escova, chapinha, e fritadeiras elétricas tipo air frye; fornecemos cores especiais e chamativas para eles ”, explica o executivo.

A Karina adota uma estratégia peculiar para o câmbio não contaminar seus custos. Além de priorizar a compra de insumos no país, conta Penido, “temos nas exportações crescentes um hedge cambial para nossas importações, pois não dispomos no mercado interno de todas as matérias-primas que utilizamos”. Desse modo, ele amarra as pontas, a Karina garante recebíveis em dólares e recheia a carteira com pedidos da América Latina, África e Europa.

Entrando de sola
Com mais de 30.000 fórmulas desenvolvidas a pedido, a componedora Concept Chroma atua num misto-quente de frentes. Entram no bojo os setores do agronegócio, automotivo, brinquedos, calçados, chapas de copolímero de etileno acetato de vinila (EVA), construção, cosméticos, elétrico e eletroeletrônicos, fios e cabos, fitas e fitilhos, higiene/limpeza, produtos hospitalares e ráfia. “Sentimos o impacto da pandemia no mercado em abril e maio, mesmo fornecendo soluções a transformadores ligados a produtos finais essenciais”, expõe o diretor comercial Augusto Malheiros Fernandez. “Mas desde junho tivemos que retomar as contratações e aumentar os turnos de produção, pois a recuperação da demanda superou o esperado”, ele festeja.

Com o astral assim empinado na carteira da Concept Chroma, o diretor discorda da corrente adepta de que, com desemprego recorde e endividamento das famílias, apenas o preço determina hoje as compras do consumidor brasileiro padrão, em especial de produtos essenciais, retraindo por tabela a procura por cores e efeitos especiais. “Não sentimos esse queda”, discorda Fernandez. “Ao contrário, estamos envolvidos em muitos desenvolvimentos em cores e aditivos de cunho inovador, movimento puxado por clientes dos segmentos de utilidades domésticas, cutelaria e calçados

A referência mais contundente desse interesse geral por diferenciação é a presença de Vironanoblock®, novo aditivo antiviral da Concept Chroma no solado do tênis Protect da calçadista Dakota. “Incorporado a formulações baseadas em diversos tipos de resinas, esse agente capacita o produto acabado para eliminar vírus envelopados e não envelopados da mesma categoria do corona, além de bactérias e fungos”, salienta Fernandez, acrescentando que a proteção proporcionada perdura enquanto durar o plástico no qual o aditivo foi incorporado, barrando ainda o risco de contaminação cruzada para todas as pessoas que tocarem o produto.

Montanha-russa
Apesar da crise econômica abalando o poder de compra de itens considerados supérfluos, a venda de nossos masters de cores e efeitos especiais não caiu e constatamos que mercados de cunho mais requintado foram pouco alterados pelo corona”, sustentam Thiago Ostorero e Elisangela Melo, respectivamente gerente comercial e executiva de vendas da componedora Engeflex.

No início do distanciamento social, eles repassam, o impacto nas vendas da empresa foi muito grande, devido em especial ao desconhecimento sobre a gravidade do corona e falta de perspectivas sob o clima de incerteza. “Em março e abril, o baque na demanda de masters foi generalizado e assustou até os mais otimistas”, notam Thiago e Elisangela. A partir de maio, porém, eles presenciaram o aumento da procura de masters para setores de produtos finais essenciais, caso de brancos de alto fechamento para embalagens de alimentos e filmes multicamada, enquanto continuavam a recuar os pedidos para frentes de bens duráveis, como carros.

A quarentena também ativou uma puxada nas vendas de formulações da Engeflex para eletroeletrônicos como celulares e computadores, e a componedora atingiu no período mais duro de distanciamento social índices históricos de vendas de masters de cores e efeitos especiais para embalagens de produtos de limpeza doméstica e higiene pessoal. A arrancada desses setores em junho e julho compensou a queda no movimento aferida no início da pandemia, atestam os dois executivos. “Desde junho, nosso principal cliente da linha branca está demandando masters com muita intensidade, a ponto de pressionar para anteciparmos prazos de entrega e os clientes de embalagens também estão tirando proveito do movimento dos segmentos de confecção e calçados, intensificado pelo auxílio emergencial”, ilustram Thiago e Elisangela.

O apelo da diferença
A componedora ProColor também sente na carteira o interesse avivado por formulações de maior valor agregado, na contramão da noticiada compra movida pelo fator preço por consumidores de poder aquisitivo minado pela pandemia. “O fluxo mensal de pedidos é crescente e clientes de grande porte recorrem cada vez mais a concentrados de cunho especial, mas os transformadores menores também percebem que essas soluções podem valorizar suas embalagens”, constata o assistente técnico de produtos Rodrigo Avelino, engrossando a voz corrente de que o movimento destinado a produtos finais essenciais tem compensado a baixa para os lados dos bens duráveis. A tiracolo da pandemia, segmentos como o médico-hospitalar ganham corpo na carteira da ProColor e, entre os masters mais requeridos por ele, Avelino cita o tipo branco CPE 2205 e o azul CPE 5030, ambos veiculados em polietileno.

Para amortecer o encarecimento gerado pelo câmbio instável nos pigmentos e aditivos importados, a ProColor aumentou o volume estocado desses insumos para evitar risco de desabastecimento, conta Avelino. “Também conseguimos prazos maiores de pagamentos aos fornecedores e negociamos com cada cliente a forma de repasse desses reajustes e, desse modo, não perdemos qualquer um deles”.

A salvo no busão
No plano geral, o mercado do plástico está se recuperando de forma gradual e até intrigante”, pondera Rafael Tronco, CEO da Multicolor. O comentário é ainda mais pertinente devido ao fato de essa componedora não atuar com intensidade no reduto de embalagens. O dirigente concorda com o consenso de que o vento sopra a favor de formulações dedicadas e menos convencionais. “As empresas andam atrás de meios para diferenciar seus produtos e atrair o consumidor com novidades, tendência refletida no aumento de desenvolvimento de soluções nessa direção”. Tronco reconhece que uma pedra no caminho é o pisão do dólar nervoso nos preços de pigmentos e aditivos importados. “Desconheço estratégia capaz de amenizar uma disparada de preços como a notada nos insumos este ano”, ele assinala. “A saída foi o repasse parcial dos reajustes, em razão da situação difícil do mercado”.

A pandemia botou na berlinda os aditivos antimicrobianos e antivirais e a Multicolor surfa na onda. “É muito grande a curiosidade por essa classe de aditivos, mas o mercado ainda mostra alguma resistência, por não ser algo visível e de fácil mensuração”, julga o CEO. “Hoje em dia, as empresas buscam alguma soluções que considero milagrosas, mas poucas estão investindo nesses aditivos disponíveis há anos em nosso catálogo”. Entre as que estão apostando na tendência, Tronco confirma a presença de seus agentes bactericidas nos ônibus Biosafe do Grupo Marcopolo, equipados com denominadas capas de poltronas e cortinas antimicrobianas.

Fonte: Plásticos em Revista

Deixe uma resposta


Top