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Polímeros alternativos abrem novos caminhos para próteses cirúrgicas

Quando o assunto é implante de próteses cirúrgicas, um dos maiores desafios está em produzir materiais plásticos que possam ser utilizados nesse tipo de aplicações e que não sejam rejeitados pelo corpo humano.

Para resolver essa dificuldade médica, instituições de ensino têm investido cada vez mais em pesquisas sobre materiais biocompatíveis para substituir os materiais comumente utilizados nessas aplicações, como ligas metálicas, materiais cerâmicos e compósitos poliméricos.

É o caso da Universidade de Twente (Holanda),que, por meio de seu núcleo de pesquisa sobre química de polímeros e biomateriais, estuda há quatro anos o poli (DL-ácido láctico) (PDLLA), um polímero biodegradável produzido a partir do poli (ácido láctico) e que pode ser absorvido pelo corpo sem trazer prejuízos à saúde dos pacientes.

Além de ser biodegradável e biocompatível, essa resina ainda apresenta características como excelentes propriedades mecânicas e químicas, proporciona uma boa interação entre material e células, e tem a capacidade de se adequar ao tipo de tecido que está sendo trabalhado, o que faz com que ela seja interessante para aplicações médicas.

‘’Materiais ósseos, por exemplo, devem ser rígidos e sais de cálcio devem ser capazes de se precipitar na estrutura criada.

Por outro lado, essas mesmas características não são desejadas no caso de outros tipos de tecidos mais suaves’’, justifica Dirk Grijpma, responsável pela pesquisas.

O polímero pode ser processado utilizando-se uma máquina de prototipagem rápida por estereolitografia (SLA, stereolithography apparatus), o que garante a produção de peças com o formato e tamanho preciosos.

A estereolitografia é um processo de produção de peça em formato tridimensional a partir de arquivos digitais, utilizando resinas fotossensíveis compostas por manômeros, fotoiniciadores e aditivos, através de um feixe de laser ultravioleta.

No entanto,esses materiais considerados frágeis possuem fortes ligações químicas, que não podem ser quebradas com facilidade,diferentemente do PDLLA.

De acordo com Grijpma, o fato de conseguirem produzir uma resina cujas ligações químicas podem ser quebradas pelo próprio organismo apresenta grandes vantagens frente a outros materiais.

‘’Se, por exemplo, uma criança apresenta um problema na válvula de seu coração, é possível criar uma imagem 3D desta válvula a partir de uma tomografia computadorizada e produzir um modelo com a nova resina por meio da estereolitografia.

Se a estrutura utilizada for porosa, as próprias células da criança podem ser colocadas no modelo.

A porosidade permitirá que nutrientes cheguem às células, fazendo com que o tecido se regenere.

Em uma última fase, a estrutura será absorvida e somente o tecido natural permanecerá’’, explica o pesquisador.

Outra aplicação médica que pode ser destacada é a criação de estruturas para corrigir má formação em crânios.

Segundo o pesquisador, pode-se criar o formato desejado de forma precisa por estereolitografia, fazer uma cultura de células provenientes do paciente nesta estrutura, o que permitirá a regeneração do tecido ósseo.

Até o momento, a equipe realizou apenas testes in vitro para verificar a compatibilidade celulat e a biodegradabilidade, os quais apresentaram resultados positivos, sendo que o próximo passo do estudo é analisar o uso de resina em animais.

A pesquisa é financiada pela União Européia e não tem previsão para entrar em fase comercial.

Fonte;Revista Plástico Moderno

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