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Sepro: Robô vira gênero de primeira necessidade para o transformador.

Entrevista com Oscar Da Silva, diretor comercial Sepro no Brasil

Na feira K 2016, em outubro último na Alemanha, a imagem que simboliza o desembarque do conceito Indústria 4.0 no setor plástico foi uma grade frontal de um sedã Mercedes Benz manipulada com extrema flexibilidade por um robô cartesiano do grupo francês Sepro, nº1 europeu nessa frente da automação dos processos.

No Brasil, a ideia da fábrica inteligente ainda não é sequer um brilho nos olhos dos empreendedores. O fato, porém, é que o negócio de transformar plástico é cada vez menos benevolente com quem se aboleta na defasagem e faz parte da noção atual de competitividade fabril preterir, quando possível, a operação manual em favor de um substituto que dispensa salário e trabalha melhor chamado robô. É no horizonte a médio prazo desse caminho sem volta que Oscar Da Silva, diretor da base comercial da Sepro no Brasil, atesta na entrevista abaixo que aposta suas fichas.

 

A Sepro abriu sua subsidiária brasileira em 2001. Como vê desde então a penetração de robôs de injeção por aqui?

Silva – Os robôs cartesianos de injeção surgiram no país com a chegada, no início dos anos 2000, de uma leva de montadoras europeias de veículos. Junto com elas, seus sistemistas múltis trouxeram a cultura de produtividade e automação dos processos. Desde então, a presença dos robôs tem sido crescente, com uma aceleração após a crise financeira de 2009. No entanto, perante a envergadura do parque brasileiro de injetoras, a quantidade de robôs instalados é muito menor. Muitas transformadoras de pequeno/médio porte ainda não estão automatizadas.

Como avalia a vida útil desse efetivo de robôs na ativa?

Silva – Sua idade média ainda é aceitável. O maior problema talvez seja a falta de manutenção/cuidado dos equipamentos por desinformação e treinamento não ministrado aos operadores. Também pesa a falta de recursos para zelar pelo bom estado dos robôs, uma lacuna infelizmente extensiva à maioria das máquinas industriais no Brasil. Vale lembrar, a propósito, que muitas injetoras foram automatizadas com manipuladores pneumáticos vistos hoje como totalmente obsoletos, por fatores a exemplo da mecânica frágil, lentidão, poucos recursos e altos gastos em manutenção. Já é hora de substituí-los por robôs com servomotores, muito mais versáteis. A tecnologia evolui e a dependência de processos de maior complexidade também trabalham para obrigar o transformador a modernizar seu parque com robôs de 5 ou 6 eixos. 

Robô para injeção ainda é visto como um luxo restrito a grandes transformadores no Brasil ou já está nos planos dos menores?

Silva – Ainda me surpreendo com a lentidão do país para entrar nesse processo de automatização do setor de injetados. Nos últimos dois anos, apesar das dificuldades políticas e econômicas, não foram as múltis que dinamizaram o mercado dos robôs e periféricos em geral, mas as concorrentes locais de porte menor e carentes de equipamentos para diminuir custos e aumentar a eficiência num mercado de margens decrescentes.

O Brasil tem um único fabricante local de robôs para injeção. Como avalia o estágio tecnológico deles perante o patamar internacional de robôs?

Silva – A presença desse único fabricante se deve, principalmente, aos benefícios (linhas de crédito) concedidos pela Finame à manufatura no país.

Infelizmente, o equipamento em questão não acusa evolução há anos. Está defasado frente ao design, velocidade, versatilidade e simplicidade de programação dos demais robôs no mercado mundial. Obviamente, eu não sou contra uma indústria de máquinas nacionais, mas o Brasil deveria permitir vantagens fiscais para equipamentos capazes de acarretar um verdadeiro diferencial tecnológico para os transformadores locais, em termos de melhorias na produtividade, segurança e flexibilidade.

O grupo Sepro compete no exterior com robôs brasileiros com exportações estimuladas pelo dólar dos últimos anos?

Silva – Não. Apesar do câmbio a favor, as exportações dos equipamentos nacionais perdem na disputa suas duas principais vantagens: um preço favorável versus os do robô de fora, gravados com taxa de 14% de importação ao entrar no Brasil, e o acesso ao crédito da Finame. No exterior, a competição se resume às diferenças tecnológicas entre o equipamento do Brasil e os demais, muito fáceis de comprovar e justificar, já que o mercado internacional é mais exigente que o brasileiro.

Qual o tipo de robô mais procurado para injeção de plástico no Brasil?

Sepro – Pela lógica, são os robôs de três eixos, multiuso e ajustáveis a qualquer tamanho de injetora e destinados desde a operações de pega e depósito simples a aplicações complexas, tipo sobre-injeção de insertos. No entanto, os processos cobram cada vez mais recursos como multiposicionamento, acompanhamento de trajetória (para flambar ou rebarbar peças), circunstâncias nas quais robôs de cinco ou seis eixos constituem a solução perfeita, principalmente para quem presta serviços a terceiros, sem nunca saber qual o próximo tipo de produto terão de injetar. Já os robôs laterais são indicados para a injeção em ciclo rápido, case de embalagens, e não são tão modulares quanto os modelos cartesianos.

Quais os diferenciais dos robôs Sepro perante a concorrência nacional e importada?

Silva – São todos controlados por um único comando concebido pela Sepro para atender o segmento de injeção. Com este controle, oferecemos soluções de Integração Ágil de três níveis. Trata-se de uma possibilidade inteligente da interoperabilidade robô/injetora. Desde a feira K 2016, a Integração Ágil está disponível para várias marcas parceiras de injetoras, entre elas Sumitomo Demag, Haitian, Milacron, Stork e Billion. Também temos desenvolvido alianças de co-branding com a Stäubli, em robôs premium de cinco e seis eixos; Yaskawa-Motoman , em modelos de seis eixos para injetoras pesadas, e Machines Pagès, em termos de soluções de in mold label (IML).

Por que ainda é incipiente no Brasil o hábito de comprar o pacote pronto de células de injetoras com robôs e periféricos integrados?

Silva – Infelizmente, o custo de nacionalização pode inviabilizar o projeto, daí os casos de o cliente preferir comprar os equipamentos em separado, mesmo ao custo de retardar a entrada em produção do injetado em vista. Através da ferramenta, “Solution by Sepro”, nós oferecemos soluções de automação turn-key. É vantagem para o cliente ter um único fornecedor para a célula completa, para evitar conflitos entre diversos participantes sem vínculo entre si e para abreviar a montagem da instalação.

Como procura assegurar competitividade aos preços dos seus robôs?

Silva – A busca de preços competitivos nos levou a lançar três gamas de robô grande: Strong, S7 Line, 7X Line. São baseadas sobre a mesma plataforma mecânica modular, o que permite baixar os custos de manufatura do robô e, por extensão, seus preços. Por sinal, mais do que o câmbio no Brasil, é o custo de nacionalização dos equipamentos importados que dificulta a modernização do parque fabril brasileiro. Fonte texto / foto: Plásticos em Revista

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