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TRANSFORMAÇÃO PAGA CARO PELO DESEMPREGO DE PROFISSIONAIS DE ALTO NÍVEL: PERDA IRREPARÁVEL

 

Fonte: Plásticos em Revista

Os economistas estão divididos. Alguns julgam que o mercado voltou ao platô de 2010, enquanto outros medem o recuo até 2009 ou 2011. Um ponto em comum entre esses anos era a conjuntura empregadora na transformação de plástico, de recolocação conquistada sem maiores delongas por profissionais do chão de fábrica maduros e qualificados. Uma situação na qual estava distante o risco atual de descarte, por força do corte na carne dos postos de trabalho, de uma mão de obra preciosa, uma ilha no mar da tragédia da educação no Brasil.

Gente em pleno vigor intelectual e sequiosa por progredir, como o engenheiro mecânico Cean Lopes, 33 anos, cuja especialização na manufatura de plásticos e moldes foi esmerilhada desde 2003 em fábricas como de múltis de autopeças Delphi e SMP e da Proctor & Gamble, ás global em produtos de higiene e beleza. Desde maio de 2016, Cean Lopes, casado há oito anos e com filha de sete, engrossa a massa de obstinados em busca de uma vaga na linhas de produção, para não se desviarem da formação na qual tanto investiram. Na entrevista a seguir, Lopes (ceanlopes@gmail.com), que jamais ficou de braços cruzados por longos períodos, descreve essa odisseia que hoje acarreta uma perda irreparável para a indústria do plástico no país.

 

Como evidencia o seu perfil no Linkedin, você está completando um ano em busca de novo emprego. De maio de 2016 até o momento, quantas vezes foi chamado para entrevistas de recolocação em indústrias de injeção?

Lopes – Até o momento tive apenas uma oportunidade de entrevista em indústrias de injeção. Tenho procurado vagas não só para atuar no setor de autopeças, tendo em vista que possuo especializações na injeção de outros segmentos: telefonia móvel e cuidados de higiene pessoal. Estou aberto a trabalhar em plantas fora dos limites da minha cidade, São José dos Campos, e do próprio estado de São Paulo. Desde que a proposta seja decente.

 

Pelo que notou na busca de recolocação, quais eram os principais requisitos para o cargo que disputou e, no geral, em quais pontos o seu perfil em geral não correspondeu às expectativas do empregador? 
Lopes – Na entrevista da qual participei, seria para o cargo de técnico mas, com a responsabilidade por toda uma nova unidade produtiva. Ou seja, instalação de máquinas e periféricos, moldes, materiais, produção, pessoas, números, etc. Trata-se de uma fábrica que iniciará suas operações no interior paulista. O que impossibilitou meu acerto com a empresa foram a pretensão salarial e a distância entre o lugar onde moro e a nova planta.

 

Na sua entrevista, foram exigidos ao candidato determinados tipos de informação e conhecimento que, na prática, ele não utilizaria no desempenho do cargo em vista? 

Lopes – Não. Percebi na entrevista que se exige cada vez mais do profissional do setor termoplástico; o perfil que estão buscando com essa crise são pessoas cada vez mais completas, dinâmicas e independentes dentro de uma unidade fabril. Eu acredito, sim, que as empresas querem profissionais cada vez mais qualificados para ocupar cargos técnicos, mas com responsabilidades em diversos setores da empresa, tais como manufatura, qualidade, engenharia, fornecedores, clientes etc.

 

Um profissional com a sua formação educacional básica (técnico em plásticos e engenheiro mecânico) e cinco anos de experiência tem como preencher todas as exigências que vê colocadas nas entrevistas de emprego em indústrias de injeção?

Lopes – Não. Do meu ponto de vista, é possível um profissional melhorar diariamente nas suas funções profissionais, pois as exigências cobradas mudam constantemente a cada novo projeto, novo cliente, nova gestão, nova certificação, etc. Acredito que ainda não exista um profissional capaz de preencher 100% de todas as exigências colocadas nas entrevistas de recolocação.

 

Seu perfil profissional revela que você nunca passou longos períodos sem emprego. Na situação atual, de um ano em busca de trabalho, como vê o peso desses três fatores:
a) a recessão no Brasil desde 2015,
b) cargos e funções reduzidos no chão de fábrica pela informatização e automação do processo 
c) demissão de profissionais experientes cujas vagas sãos supridas com gente mais jovem ganhando menos.

Lopes – Realmente nunca fiquei desempregado, mas, com o atual cenário de recessão econômica não me vejo recolocado no setor tão rapidamente. As empresas buscam as reduções de mão de obra direta e sobrevivem os que se destacam em ideias de economia, reaproveitamento, redução no desperdício, ganhos em ciclos, etc. Aos que perderam o emprego, como eu, restou a concorrência com profissionais veteranos de alto gabarito e com jovens cheios de vontade e pouca ou nenhuma experiência – mas, a meu ver, estes últimos correm por fora.

 

Nesse período em busca de emprego, você tem procurado manter atualizados ou aprimorar seus conhecimentos tecnológicos?

Lopes – Por um tempo procurei fazer isso através de participação em feiras do segmento e outros eventos de tecnologia. Hoje em dia, porém, me mantenho atualizado apenas pela internet, através de estudos e pesquisas.

 

Como tem obtido recursos para se sustentar nesse período de busca de novo emprego?

Lopes – Venho trabalhando como motorista de aplicativos, dando suporte em trabalhos acadêmicos e prestando serviços de manutenção e conserto de eletrodomésticos da linha branca.

 

Autopeças estão entre as indústrias de retomada mais difícil. Diante disso, quais setores de injeção passariam a ter sua preferência para buscar emprego?

Lopes – Não tenho preferências por campo algum na busca por uma nova oportunidade, mas ingressar nos setores farmacêutico ou alimentício seria muito interessante.

 

Hoje em dia, um técnico de produção ou engenheiro pode desistir de buscar recolocação em indústrias de injeção se tiver passado de qual idade? 

Lopes – Não há idade para um técnico ou engenheiro desistir de se recolocar; claro que chega um momento que esse profissional irá se encontrar em alguma outra atividade, em função da sua necessidade financeira. A indústria é quem mais perde com isso, pois profissionais experientes, conhecedores de muitos métodos, processos, contatos, recursos, etc, desistem da carreira em função da demora na recolocação.

Fonte: Plásticos em Revista

 

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