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VENDA DE GELADEIRAS E FOGÕES REANIMAM, COM 2021 INCERTO.

Fonte: Plásticos em Revista

Degelo em fogo brando

Vendas de geladeiras e fogões reanimam, mas 2021 é a pergunta de US$ 1 milhão

Caixa-forte de poliestireno e plásticos de engenharia, os eletroeletrônicos da linha branca começam a se reerguer das cinzas de suas vendas, infartadas pelo imobilismo social no nada memorável primeiro semestre. “O movimento de fogões e geladeiras caiu cerca de 20% no comparativo com os primeiros seis meses de 2019”, confronta Jorge Nascimento, presidente da associação setorial Eletros. “Como tratam-se de produtos mais volumosos e, em determinados casos, de maior valor agregado, muitas pessoas preferem comprá-los nas lojas físicas, fechadas durante o período da quarentena”. Com a flexibilização do comércio desde junho, ele nota, veio forte a retomada em curso da produção de categorias como a linha branca. “É um fenômeno atribuível em parte às expectativas das nossas indústrias em relação a Black Friday e Natal”, justifica o dirigente.

A linha branca atende a uma jornada de compra que suscita maior interação do consumidor com o produto, pondera Fernando Baialuna, diretor da consultoria GFK, especializada em monitorar o mercado eletro. “As pessoas sentem a necessidade de avaliar in loco antes de definir a compra da geladeira ou fogão e isso afetou com intensidade seu movimento entre março e abril passado, na fase do pânico com a pandemia”, ele explica. Com a reabertura gradativa das lojas, ele prossegue, as vendas da linha branca se aprumaram aos poucos e, resumo da ópera, apenas de janeiro a agosto último cresceram 15,2% em valor e 10% em unidades versus a mesma quadra em 2019. “No mesmo período, as vendas de eletroeletrônicos em geral recuaram -7,1% em volume e14% em valor”, compara o analista. No mesmo diapasão, ele salienta que o movimento da linha branca respondeu, pela lupa da GFK, por 24,8% das vendas totais de eletroeletrônicos nos oito meses iniciais deste ano, participação similar (+24,5%) à detida no cômputo do mesmo período sem vírus em 2019.

A histórica demanda reprimida e uma potencial venda por troca podem garantir os resultados de fogões e geladeiras no Brasil durante os próximos três a cinco anos”, sustenta Baialuna. “O desafio é entender como seguir estimulando as vendas”, ele coloca. “Oferecer crédito e prazo ao consumidor é o caminho mais provável do êxito em 2021 e 2022”.

A plena carga
Dínamo nacional em geladeiras e fogões, a cearense Esmaltec Eletrodomésticos retomou sua produção em junho e já na primeira quinzena de outubro rodava a pleno sua capacidade instalada, dimensionada em mais de 360.000 produtos mensais. “Apesar da pandemia e incertezas da economia, deveremos crescer no último trimestre em relação ao mesmo período em 2019”, confia o CEO Marcelo Pinto, elegendo como seus carros-chefe na linha branca o fogão Bali 4Q, com tampa de vidro temperado e forno limpa fácil, e o refrigerador de uma porta ROC 31, com capacidade total de 245 litros, diferenciais como a gaveta branca para resfriamento rápido e alta eficiência energética.

O isolamento social mudou os hábitos de consumo da linha branca”, atesta o diretor superintendente. “As pessoas começaram a cozinhar mais em casa, demandando mais praticidade e design para os eletrodomésticos”. Hoje em dia, ele observa, os consumidores estão mais pautados pela experiência e antenados na transformação digital. Para acertar o passo com esse cenário, ilustra Pinto, a Esmaltec desenvolveu o aplicativo E-Control para smartphone. “Permite ao usuário controlar a temperatura e acionar recursos como LED e o modo de economia de energia”, ele exemplifica. No embalo, ele ressalta o lançamento dos modelos de fogões Full Glass, com frente total de vidro temperado, trunfo para a estética e limpeza facilitada do equipamento. Referência nesse sentido, arremata o CEO, é o fogão Esmeralda Glass Gourmet, munido de timer digital e sensor que indica o momento exato em que o forno está pré-aquecido.

Anabolizantes do consumo
A GFK põe fé na continuidade da recuperação das vendas da linha branca em 2021. Fernando Baialuna deixa claro, porém, que esse potencial encara desafios em duas frentes para energizar o consumo. “Numa delas, temos uma classe média com fôlego e investimentos para o lar num sentido mais amplo, pois parou de consumir fora de casa em turismo, lazer, serviços em geral e vestuário, por exemplo”, ele argumenta. “Ao reorganizar seu orçamento e redirecionar recursos para incrementar o lar, essa camada social favorece as categorias de eletroeletrônicos, materiais de construção e decoração, evidenciando uma oportunidade de converter a demanda reprimida do parque de fogões e geladeiras envelhecidos”.

Na outra frente, Baialuna apalpa o comportamento do público de baixa renda. “Ele segue comprando com o ganho extra do auxílio emergencial, pois boa parte dos 67 milhões de beneficiados pelo programa não tinha emprego formal, ampliando sua renda a curto prazo com esse subsídio, prenunciando grande perspectiva para Black Friday e Natal”. Para 2021, com o possível fim do auxílio emergencial, o diretor da GFK antevê a volta à informalidade de grande parte dos beneficiários. “Tal como a classe média, eles necessitarão de crédito e prazo para seguir consumindo”, ele pressupõe.

A retomada deflagrada em junho permitiu ao setor de eletroeletrônicos ocupar hoje em torno de 85% de sua capacidade produtiva, situa Jorge Nascimento, presidente da Eletros. “Mas nos preocupa saber se esse ritmo persistirá nos próximos meses”, ele sublinha, reiterando que sua entidade defendeu a manutenção do auxílio emergencial na faixa de R$ 600,00. “Foi importante para estimular o consumo e esperamos que datas temáticas como Black Friday e Natal impulsionem mais as vendas de eletroeletrônicos, de modo que 2020 feche como um ano de perdas moderadas”, ele observa. “Ainda é cedo para prever o comportamento do mercado em 2021, mas entendemos que medidas de estímulos à economia são importantes para garantir um ano melhor do que este”.

A excelência sai do forno
Resinas e masters mantêm em fogo alto o desempenho da linha branca

Eletroeletrônicos, com refrigeradores à frente, são uma artéria jugular para o balanço de poliestireno (PS). No ano passado, o segmento mobilizou algo acima de 100.000 toneladas, respondendo por 29% do mercado interno do polímero, delimita Solange Stumpf, sócia executiva da consultoria MaxiQuim. “A pandemia deve reduzir a participação este ano, quando o consumo aparente de PS deve cair na faixa de 11% frente ao saldo de 2019”.

O isolamento social teve o efeito colateral de engrossar os investimentos da população na melhora do cotidiano doméstico, o que abrange a renovação dos eletroeletrônicos, observa Marcelo Natal, diretor comercial da Unigel, produtora de estireno e PS. “Essa mudança nos hábitos de consumo e a entrada do auxílio emergencial na economia influíram desde julho no aumento da demanda de PS para refrigeradores, atingindo níveis superiores ao período pré-corona”, ele interpreta. “Daí porque essa indústria deve recuperar no semestre atual boa parte da queda nas vendas sofridas no auge da pandemia, no segundo trimestre”. Pelo seus cálculos, eletrodomésticos consumiram em torno de 75.000 toneladas de PS no ano passado e 2020 deve fechar com volume de leve inferior.

Sem abrir números, Natal percebe uma pequena redução, de cinco anos para cá, no volume médio de PS empregado em refrigeradores no país, decorrência dos projetos de otimização de desempenho implantados pelos fabricantes. “Esse avanço envolveu o desenvolvimento de grades com balanço superior de propriedades, permitindo reduzir a espessura de peças sem prejuízo de sua performance”, assinala o diretor. Em contraponto, ele chama atenção para o crescimento, nos últimos anos das vendas de refrigeradores high end, contendo um volume de PS por unidade superior ao de modelos menores.

Para marcar de perto essas inovações, a Unigel acena com três resinas de alto impacto para refrigeradores. Natal abre a listagem com a resina U8815. “Apresenta resistência a impacto e brilho elevados, similares ao do copolímero de acrilonitrila butadieno estireno (EPS), material que esse grade visa substituir com custo inferior”, esclarece o executivo. Outro ás na manga da Unigel é a resina de brilho médio U8878, aponta Natal, destinada à injeção de peças dependentes de robustez e estabilidade dimensional elevadas, “para suportar a montagem por clicks e parafusamento”, completa Natal. A relação fecha com o grade U8875, vocacionado para a termoformagem da caixa interna e contraportas de refrigeradores. “Proporciona proteção contra possíveis ataques de polióis reativos no sistema de espumação de poliuretano e assegura resistência química contra agentes expansores como o gás refrigerante ciclopentano”.

Viés de alta
Também produtora de estireno e PS, a Innova rema contra a corrente que antevê declínio no consumo do polímero na linha branca este ano. “O volume deve crescer em torno de 3% sobre o saldo de 2019, incitado pelo movimento do quarto trimestre”, apostam o diretor comercial Claudio Rocha e o gerente comercial Fábio Meireles. “O efeito do auxílio emergencial e as restrições de gastos com viagens e entretenimento geraram um consumo intenso dos equipamentos da linha branca após o período mais crítico da pandemia (março a maio), a ser impulsionado também pela Black Friday e Natal.”

Rocha e Meireles situam ao redor de 10 quilos o volume médio requerido por unidade de refrigerador montado no país. “Como os modelos disponíveis estão consolidados, esta quantidade de PS não se alterou nos últimos anos”, eles atestam. “O principal evento no segmento foi uma certa preferência do consumidor por refrigeradores de duas portas, elevando por tabela entre 13% e 15% a quantidade de PS por unidade desses modelos”.

A estrela guia do portfólio da Innova para refrigeradores é o grade de alto impacto R940, de elevada resistência à quebra sob tensão (stress crfacking/ESCR). “É a melhor opção disponível em termos de balanço de resistência a impacto e química, conferindo significativa redução de espessura das chapas para termoformagem no comparativo com o grade ESCR convencional”.

Raia estreita
Entre os plásticos de engenharia mais importados, ABS também tem espaço em aplicações na linha branca no Brasil. “Este segmento abriu 2020 com muito otimismo, prenunciando crescimento entre 8% e 12% perante 2019 e sinalizando consumo da ordem de 9.000 toneladas de ABS, dominado pelo tipo pré-colorido em branco”, observa Fabio Celso Bordin, diretor para a América do sul da alemã Ineos Styrolution, trem bala global em estirênicos. Mas eis que veio a pandemia e a expectativa do executivo agora é de a indústria nacional da linha branca fechar 2020 com um consumo em linha com o registrado no ano passado, na faixa de 8.200 toneladas. Em paralelo, Bordin reconhece que, tal como ocorre com a maioria dos polímeros, a disponibilidade internacional de ABS tem sido bastante abalada pela pandemia atrelada a complicadores como a forte demanda da China e a problemas de frete marítimo.

Bordin comenta que o Brasil segue a praxe mundial de utilizar poliestireno de alto impacto, cujas propriedades térmicas diferem de ABS, nos gabinetes e painéis de portas de refrigeradores. A exceção, assinala o diretor, cabe a determinados fabricantes internacionais que optam por ABS nessas aplicações em busca de uma performance condizente com as geladeiras premium que eles montam. Fora o preço inferior de PS, expõe Bordin uma dificuldade para ABS substituí-lo naquelas duas peças internas de refrigeradores brasileiros é a necessidade de ajuste do sistema de isolamento de poliuretano, hoje projetado para trabalho com poliestireno de alto impacto. “Isso complica uma eventual troca do material do gabinete”, nota Bordin.

Retomada lenta
Uma façção de analistas incorpora lavadoras de roupa à linha branca e elas compõem a maior vitrine para polipropileno (PP) no reduto eletroeletrônico. “Esse setor foi um dos mercados de PP em bens duráveis mais alvejados pela retração da demanda durante o pico da pandemia, entre março e maio”, julga Renata Montagnini, responsável pelo segmento de eletrodomésticos da Braskem, único produtor local de PP. Vencido aquele paralisante período inicial e com a população aderindo ao distanciamento social, ela assinala, parte da renda foi dirigida então ao conforto e praticidade no lar, caso da modernização de eletrodomésticos como lavadoras. Além disso, distingue Renata, o coronavoucher deu acesso às lavadoras, em especial modelos semiautomáticos, mais acessíveis, a um contingente de famílias antes sem condições de comprá-las. “Esses dois fatores contribuem para as vendas de lavadoras fecharem o ano bem próximas dos volumes de 2019, embora bem aquém das projeções pré-pandemia de avanço de dois dígitos”.

Solange Stumpf, diretora da consultoria Maxiquim, constata que a baixa participação dos eletroeletrônicos na demanda nacional de PP tem evoluído com comedimento nos últimos anos. “No momento, esse reduto mobiliza ao redor de 5% do mercado interno de PP”, ela atribui. Renata Montaginini retoma o fio situando a atual quantidade de PP por unidade de lavadoras brasileiras na faixa de 4% inferior às 360 gramas aferidas cinco anos atrás, declínio atribuído por ela aos solavancos da economia com os devidos respingos no crédito restrito, desemprego e periclitante confiança do consumidor. “2019 foi excelente para reverter a queda no consumo de PP em lavadoras, mas veio a pandemia e hoje acreditamos numa retomada mais lenta que a prevista no ano passado”.

O portfólio de homo e copolímeros da Braskem faz um arrastão sobre as aplicações para PP em lavadoras. Renata abre o mostruário com o grade CP202XP, com índice de fluidez e módulo de flexão elevados, além de resistência ao impacto bem superior à de um típico homopolímero, sendo indicado para peças grandes e complexas de lavadoras. No mesmo diapasão, a executiva ressalta a alta rigidez, brilho e resistência ao risco do homopolímero H202HC integrante da linha Maxio. “Concilia processabilidade e produtividade por permitir a redução do ciclo de injeção”, sumariza Renata. Ainda no poleiro dos homopolímeros, ela distingue o grade FT120WC, de alto módulo de flexão e resistência ao impacto, recomendado para peças de alta rigidez como agitadores das lavadoras. Renata completa o receituário da Braskem com o desenvolvimento em curso de quatro resinas de PP pós-consumo reciclado, nas cores branca e preta, integrantes da série I’m green™ recycled e acenadas para itens de lavadoras.

Sequestro de odores
A linha branca é ávida consumidora de masters predominantemente brancos de PS, ABS e PP, estabelece Wagner Catrasta, gerente comercial da Termocolor, motor turbo das componedoras nacionais. “Masters de poliamida e polibutileno tereftalato (PBT) também têm espaço em componentes injetados de fogões”. Conforme observa, sua empresa comparece na linha branca com formulações individualizadas de alta performance e ele chama a atenção, no plano recente, para o interesse desse mercado por aditivos antivirais.

Concentrados de agentes antimicrobianos, em especial à base de zinco e prata em separado ou misturados, inibem a proliferação de bactérias e fungos e, nos últimos tempos, têm sido usados nas geladeiras para reduzir a incidência de contaminação cruzada”, constata Carlos Assumpção, gerente técnico da Cromaster, componedora do topo da pirâmide. “Ela ocorre, por exemplo, quando gavetas e reservatórios contaminam produtos novos por terem recebido antes itens já infectados”. No mesmo diapasão, Assumpção ressalta a eficácia de concentrados de aditivos, ofertados por sua empresa, para sequestrar odores indesejáveis no interior de geladeiras, provenientes de alimentos de cheiro forte ou um estágio de degradação.

Assumpção também indica para refrigeradores os préstimos de concentrados de agentes antifogging. “Reduzem a opacidade criada pela condensação de gotículas de água na superfície de peças transparentes, dificultando a identificação do conteúdo”, ele explica. “A umidade no ambiente externo da geladeira se condensa na superfície fria de suas peças internas quando a porta é aberta”.

No plano óptico, Assumpção associa, em regra, a linha branca a masters de PS, ABS e PP pigmentados com dióxido de titânio. Ele também vê espaço nessa categoria de eletroeletrônicos para pigmentos termossensíveis. “Apresentam uma resposta de cor diferente em função da temperatura de exposição, indicando assim se determinada condição térmica foi atingida”, esclarece o técnico. “Por se tratarem de materiais muito caros e de baixa estabilidade química, são usados em casos bem específicos e em peças alojadas em detalhes dos equipamentos”.

Fonte: Plásticos em Revista

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