
Um arraso nos bastidores dos tubos
4 drivers de uma produção-modelo desde a matéria-prima à transformação
Polietileno de alta densidade (PEAD) é mão na roda para evitar vazamentos em tubos para infraestrutura, sustentou em apresentação no seminário Fernando Cruz, gerente técnico e de marketing na América do Sul da petroquímica austríaca Borealis. A supremacia de PEAD perante as alternativas de PVC, cimento, ferro e ferro fundido nodular, sublinhou o especialista, foi comprovada pela taxa de falhas 5/100km ao ano aferida no histórico 1995-2023 em estudo da independente companhia britânica de saneamento UK Water Industry Research.
Cruz listou como predicados-chave para tubos de distribuição de água sua neutralidade em relação á água, baixo coeficiente de atrito superficial (sem perda de fluxo no correr do tempo), manutenção de propriedades organolépticas, inexistência de descolorações por contato corrosivo com água e vida útil de 50 a 100 anos. Na sequência, o gerente da Borealis encaixou que materiais mais resistentes são hoje especificados para os tubos em virtude de novas técnicas de instalação, casos da perfuração dimensional horizontal e, para baixar custos, da vala aberta sem cama de areia. Nessa trilha, Cruz assinala o aumento da resistência mecânica requerido para dutos em tópicos como arranhões externos, impacto de rocha (carga pontual) e em relação à tubulação sob pressão.

Para o cumprimento de todas as novas expectativas de fio a pavio, Cruz apregoou no seminário os chamarizes do grade PEAD 100-RC da Borealis. Conforme afiançou, a resina possibilita instalação dos tubos sem valas mais rápida 950%) e econômica (92%). Também frisou atributo conferidos pelo polímero aos tubos como menor poluição sonora e menos necessidade de maquinário para serem instalados. Cruz brandiu ainda no evento a oferta desta mesma poliolefina para tubos e conexões na roupagem de compostos da série BorSafe™ preto, azul (para tubos de água potável) e laranja (dutos de gás). No arremate, o executivo sublinhou a adequação das soluções BorSafe™ para extrusão de tubos de grandes diâmetros nominais, a exemplo de 1.400 mm, espessuras alentadas, como 60 mm, e com vida útil extensível a um século.
Orientação oriental
No rastro do último ciclo global de investimentos petroquímicos (1992-2021), proliferou na China, em decorrência da busca pelo governo de autossuficiência industrial e apoio a exportações de manufaturados, um formigueiro de fornecedores de maquinário para transformação de plástico – hoje com padrão de qualidade em regra páreo para o europeu. Na raia da produção de tubos, a trajetória do Grupo Beier ilustra esta subida da industrialização da China ao estrelato tecnológico. Fundado em 1998 na província de Jiangsu, o conglomerado hoje cobre 150 países e reluz entre os cinco exportadores top chineses de linhas de extrusão rígida. Entre elas, despontam as desenhadas para tubos de PVC-O (biorientado), com cadeira cativa na distribuição de água e drenagem. O poderio das extrusoras Beier neste nicho da infraestrutura deu o tom da palestra no seminário de André Rodrigues Stanoski, CEO da Altax 7, agente da marca chinesa no Brasil.

Em essência, divulga a Beier, o tubo PVC-O marca pelo duplo estiramento (longitudinal e radial) num estágio de alta elasticidade do polímero em sua extrusão. No confronto com tubos convencionais de vinil não plastificado, o tipo PVC-O se distingue por uma mudança ocorrida na estrutura do polímero durante a biorientação: cadeias moleculares lineares transmudam-se numa malha esticada, o que fortalece a dureza, vida útil e resistência mecânica (inclusive à fadiga sob tensão) do tubo, adequando-o ao trabalho sob pressões maiores. Na sequência, Stanoski ressaltou que o tubo de PVC-O supera em economia energética (KW/h) na sua produção as alternativas do tipo vinílico não plastificado, de polietileno de alta densidade e de ferro fundido nodular.
O CEO da Altax 7 expôs na ocasião o portfólio da Beier para PVC-O, abarcando cinco versões de extrusoras de dupla rosca. A menor delas agrega roscas de 110-250 mm de diâmetro e opera com capacidade de 150-250 kg/h. A seguir, figura a máquina com rosca de 250-450 mm de diâmetro e que roda na faixa de 250-450/kg/h. Acima dela, consta a extrusora com rosca de 450-600 mm de diâmetro e capacidade de 450-650 kg/h e aquelas com roscas de 500-800 mm de diâmetro e potencial para gerar tubos à base de 700-1.000 kg/h. A maior linha do quinteto conta com roscas de 710-1.000 mm e extrusa no patamar de 900-1.300 kg/h, completou Stanoski.
Refrigeração por água
Mais de 40 máquinas na ativa no Brasil constituem o cartão de visitas da alemã Unicor, há 41 anos pontificando na tecnologia global de corrugamento de tubos de PVC e PEAD, entre cujos mercados despontam as obras de saneamento básico, ressaltou em apresentação no seminário Conrado Picolo, CEO da C Picolo, distribuidora autorizada da Unicor no país.
A folha-corrida da Unicor arrola entre os atrativos econômicos e funcionais do tubo corrugado de dupla parede para infraestrutura a instalação facilitada devido à sua leveza. A propósito, a empresa estima que o processamento do tipo corrugado demanda ao redor de 60% menos resina que o do tradicional tubo liso de uma parede. Outros pontos altos da performance do modelo corrugado compreendem a resistência química, robusteza, durabilidade e alta flexibilidade com resistência estrutural.

O portfólio de corrugadores da Unicor, pormenorizou Picolo, engloba modelos para trabalho com tubos de dupla parede com diâmetros entre 3 e 1.800 mm. A empresa indica para tubos de saneamento as linhas de corrugadores médios e grandes. Em sua exposição, o representante especificou os modelos UC 210/280; UC 3 XX; UC 5XX e UC 1.800. Entre as vantagens acenadas pelo quarteto, a Unicor enaltece a refrigeração por água direta e contínua dos moldes de alumínio, base da alta estabilidade do processo de corrugamento, assim como o rastreio e registro dos parâmetros memorizados de processo (como temperatura dos moldes) e, em particular no âmbito dos corrugadores maiores, a troca rápida dos moldes possibilitada por exclusivo sistema de transporte.
Planta do amanhã
Está para nascer o transformador de tubos de infraestrutura que não opere verticalizado no beneficiamento de PVC. Mentora da vanguarda mundial em equipamentos periféricos, a italiana Piovan aproveitou a deixa para apresentar no seminário sua visão da planta de compostos vinílicos de amanhã. O conceito é fruto da conjunção da inteligência artificial (IA), automação e análise de dados em tempo real, um suprassumo tecnológico ao alcance do transformador que desembarque no universo do software dos sistemas modulares de execução da manufatura (Manufacturing Execution Systems/MES), acenou Roberto Gandolfo, gerente de aplicações do grupo Piovan. O MES gera informações que possibilitam aprimorar as atividades produtivas desde a emissão do pedido ao despacho do manufaturado. Em suma, ponderou Gandolfo, uma ponte entre planejamento e execução da produção. Enquanto o conhecido sistema ERP define “o quê e quando”, o MES gerencia como executar. Entre seus módulos, o MES, que admite interface com ERP, destacam-se os de apontamento de dados da produção, geração em tempo real de indicadores-chave de performance e efetividade do maquinário, planejamento e programação da produção e rastreabilidade do processo.

Como toda ruptura com o passado, a mudança de uma planta componedora tradicional para o status 4.0 implica três desafios cuja superação é crucial para a acalentada implantação da manufatura futurista, condicionou Gandolfo. São eles: qualificação da força de trabalho e combate à resistência a mudanças culturais; integração de tecnologias complexas e sistemas legados e, por fim, cibersegurança e proteção de dados.
Nas entrelinhas dessa panorâmica, considerou o especialista, a planta 4.0 de compostos de PVC marca pela qualidade e confiabilidade de dados (Big Data); escolha estratégica de fornecedores; padronização de processos de implementação complicada e determinação do retorno sobre o investimento necessário. Todas essas expectativas são preenchidas pelo software de controle do gerenciamento Winfactory 4.0 da Piovan, enaltecido por Gandolfo por sua integração com outros sistemas de monitoramento (MES/ERP, QMS, WMS e BMS) e provendo assim controle do set-up, gestão de estoques e rastreamento dos lotes de produção, gasto energético e de consumo de matéria-prima.
Fonte texto e fotos: Plásticos em Revista em 26/08/25