
“Descomplicando o Plástico: um workshop para jornalistas”
ABIPLAST PROMOVE WORKSHOP PARA JORNALISTAS E COMUNICADORES COM FOCO EM DADOS, CIÊNCIA E CIRCULARIDADE DO PLÁSTICO
Encontro reuniu especialistas para discutir a realidade do setor plástico, seus impactos no cotidiano e as soluções inovadoras para a economia circular
A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) realizou em 25 de junho passado o workshop “Descomplicando o Plástico: um workshop para jornalistas”, na sede da Confederação Nacional da Indústria do Brasil (CNI) em São Paulo. O evento reuniu profissionais da imprensa e da comunicação interessados em se aprofundar e se qualificar na cobertura jornalística sobre o material e o setor, promovendo uma abordagem científica, baseada em dados atualizados e evidências. A iniciativa buscou fortalecer a conexão entre a indústria, a academia e os formadores de opinião, contribuindo para uma compreensão mais precisa e fundamentada sobre o plástico e seus impactos.
A abertura foi realizada pelo presidente executivo da ABIPLAST, Paulo Teixeira, que destacou a importância de um diálogo transparente com a imprensa para combater desinformações e fomentar uma visão mais ampla sobre o plástico e suas múltiplas contribuições para a sociedade.
A programação contou com apresentações de especialistas reconhecidos no setor e na academia. O economista-chefe da ABIPLAST, Marcos do Nascimento, apresentou dados relevantes do setor, com um panorama e expectativas para os próximos anos. Marcos destacou a relevância econômica do setor, que reúne mais de 14 mil empresas e emprega cerca de 379 mil profissionais, estando entre os cinco maiores setores industriais com os melhores salários médios. Além disso, a indústria do plástico projeta um investimento total de R$ 31,7 bilhões entre 2025 e 2027, com foco em expansão fabril, desenvolvimento de embalagens sustentáveis, novas tecnologias de reciclagem mecânica e química e fortalecimento da logística reversa.
Eloisa Garcia, diretora-geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), órgão público de pesquisa científica e tecnológica vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, trouxe uma análise científica sobre a importância do plástico na conservação de alimentos e na segurança alimentar, além de estudos de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV).
Eloísa é considerada referência nacional no setor de embalagens sustentáveis. Coordenou grupos de pesquisa em embalagens plásticas e meio ambiente dentro do CETEA (Centro de Tecnologia de Embalagem) e, em 2021, foi listada pela Forbes entre as 100 Mulheres Poderosas do Agro. Em março de 2025, entrou para os 100 Mais Influentes do Agronegócio (“Oscar do Agro”), na categoria Tecnologia e Inovação.
Na sequência, Anderson Maia, doutor em engenharia, que acumulando mais de 25 anos de experiência em pesquisa, desenvolvimento & inovação nas áreas de materiais avançados, biotecnologia e meio ambiente, esclareceu mitos comuns sobre o plástico, oferecendo explicações técnicas sobre suas propriedades, aplicações e impactos. Ele reforçou a importância de promover debates fundamentados em evidências científicas, e não em percepções superficiais.
Na parte final do encontro, o painel “Casos Reais: Inovação e Circularidade – quem está fazendo acontecer” apresentou exemplos concretos de soluções sustentáveis no setor. A ADS Tigre, fabricante de tubos corrugados, reforçou seu compromisso com a sustentabilidade e a eficiência. A empresa destacou a produção, no Brasil, de tubos fabricados com material reciclado, voltados principalmente à condução de águas pluviais e esgoto. A apresentação foi conduzida por Osvaldo Barbosa de Oliveira Junior, especialista em Relações Institucionais, Governamentais e Sustentabilidade da companhia.
Na sequência, Eduardo Berkovitz, diretor de Relações Institucionais e Compliance da Valgroup, compartilhou as soluções sustentáveis da empresa para o setor plástico, com foco em inovação e economia circular. Entre as iniciativas, estão o desenvolvimento de embalagens plásticas flexíveis e rígidas, resinas recicladas, compostos minerais, masterbatch e aditivos de performance, além da utilização de máquinas que otimizam o uso de filmes plásticos. A Valgroup também investe em tecnologias avançadas de reciclagem, com quatro processos distintos, incluindo a reciclagem mecânica de filmes plásticos, PET e materiais de difícil reaproveitamento.
Marilene Iamauti, gerente de Sustentabilidade do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), apresentou os principais resultados do Sistema Campo Limpo, referência mundial em logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas e em economia circular. O programa brasileiro promove o retorno das embalagens vazias e a destinação ambientalmente correta: mais de 95% dessas embalagens são recicladas, e apenas 3% são incineradas.
O Sistema Campo Limpo tem como missão evitar a contaminação do solo e da água, garantindo a segurança alimentar e a saúde humana e animal. Desde 2002, a articulação entre agricultores, indústria, canais de venda e poder público já garantiu a destinação adequada de mais de 800 mil toneladas de embalagens. O processo inclui a tríplice lavagem feita pelo agricultor, a devolução da embalagem a um posto de recebimento e o posterior encaminhamento pela indústria para a destinação correta. As embalagens de defensivos agrícolas são recicladas e o plástico reciclado é inserido e transformado em novas embalagens para a mesma função, ou em novos produtos como tubos corrugados.
Encerrando o painel, Geórgia Albertoni, engenheira química da ABIPLAST, apresentou os avanços do programa Recircula Brasil, a iniciativa já mapeou 304 fornecedores de resíduos ou resinas plásticas com conteúdo reciclado, localizados em 11 estados, com destaque para Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Do total de material inserido no sistema, 62,5% provém do comércio atacadista, 14,8% da indústria de transformação e 4,3% de cooperativas. A ferramenta também identificou cerca de 1,5 mil clientes das empresas participantes, distribuídos em 20 estados.
Geórgia também apresentou os principais projetos e resultados da Rede pela Circularidade do Plástico, iniciativa articulada pela ABIPLAST com o propósito de gerar conhecimento, promover a padronização e fortalecer a cadeia do plástico, visando ampliar tanto a reciclabilidade quanto a disponibilidade de materiais recicláveis.
Com uma manhã intensa de conteúdo e espaço para diálogo com os especialistas, o workshop consolidou-se como uma importante iniciativa de aproximação entre a indústria do plástico e os profissionais da imprensa e comunicadores, contribuindo para a construção de narrativas mais informadas, responsáveis e alinhadas aos desafios da sustentabilidade. “É fundamental que os jornalistas tenham acesso a dados confiáveis, análises técnicas e às múltiplas perspectivas que envolvem o plástico. Ao fomentar esse espaço de troca, buscamos contribuir para uma cobertura mais assertiva e transparente, que reconheça os avanços da indústria e os caminhos possíveis para uma economia mais circular e sustentável”, completa Paulo Teixeira.
Fonte: ABIPLAST em 21/08/25