
Inteligência artificial coloca a indústria em outro patamar.
Seminário Competitividade 2025, reuniu especialistas e executivos para debater os principais desafios e oportunidades da cadeia produtiva.
O Seminário Competitividade 2025 ocorreu no dia 18 de setembro em São Paulo, reunindo líderes empresariais, especialistas e executivos da cadeia produtiva do plástico e setores correlatos para discutir alguns dos temas mais estratégicos para o futuro da indústria. O encontro, promovido pela ABIPLAST e pelo SINDIPLAST-SP, em parceria com a Plásticos em Revista, destacou o impacto da inteligência artificial, a escassez de mão de obra qualificada, os riscos do cenário econômico global e as perspectivas de crescimento da indústria brasileira.
A abertura contou com a participação de Joaquim Alves Junior, gerente de Inovação e Transformação Digital da Unipac, que apresentou a palestra “O futuro da transformação diante da Inteligência Artificial (IA)”. Para Joaquim, não é possível falar em IA sem discutir a qualidade e a qualificação dos dados. “Nós, como empresa, precisamos debater o valor que a IA traz para as organizações. O modelo de IA pode reduzir custos operacionais e apoiar desde a manutenção preditiva até a definição do regime de produção. Mas é preciso iniciar essa jornada, porque o atraso é irrecuperável. O desafio é aumentar a prontidão e criar motores de conexão com a IA”, destacou.
Na sequência, Rodrigo Fabian Galvez, CEO da Balq, trouxe a palestra “Posicionamento diante da inovação e da tecnologia disruptiva da IA”. O executivo ressaltou a importância da cultura digital como base para a transformação. “Discutíamos na Braskem como integrar a cadeia de valor pela digitalização, mas enfrentamos limitações técnicas, já que o nível de digitalização ainda é baixo em muitas empresas. A transformação exige mudança cultural”.
Ricardo Prado, CEO da Piovan América do Sul, que mediou o debate, também reforçou o discurso do CEO da Balq, falando que das 14 mil empresas da cadeia do plástico, cerca de 12 mil são pequenas e médias. “Isso por si só representa um obstáculo à adoção da IA. Além disso, boa parte da indústria ainda opera com máquinas de 10 a 15 anos, que não atendem aos protocolos de integração. Soma-se a isso o fato de que, segundo pesquisa da CNI, as principais preocupações dos empresários estão em outras frentes, como questões legais e fiscais”, pontuou.
“A Inteligência Artificial é uma ferramenta fantástica que coloca a indústria em outro patamar. É ela quem vai analisar dados e apoiar a tomada de decisões nesse novo contexto. Se a IoT (Internet das Coisas) integrou as máquinas, a IA eleva ainda mais esse patamar. Mas para isso, a entrada da cultura da IA precisa começar pela liderança. Reunir líderes e especialistas para discutir esses temas é essencial para que a cadeia produtiva do plástico e setores industriais correlatos estejam preparados diante dos desafios e oportunidades que moldam o futuro da competitividade”, afirmou José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Conselho da ABIPLAST.
No segundo painel, Marcello Luiz de Souza Júnior, gerente de relações com o mercado do SENAI SP, abordou a “Carência e custos de mão de obra qualificada para transformação”, destacando a dificuldade de atrair e reter talentos para a indústria. “Há menos imigrantes em São Paulo, e os jovens preferem trabalhar em serviços, não na indústria. Além disso, quase um terço da força de trabalho está na informalidade, competindo diretamente com as empresas industriais. Também vemos diferenças importantes nas curvas de remuneração, o que torna o desafio da retenção ainda maior”, explicou.
Albano Schmitt, Diretor-presidente da Termotécnica, reforçou que os desafios são tanto estruturais quanto culturais. “Começamos com a inquietação da indústria em tomar decisões mais ágeis, mas nos deparamos com dificuldades estruturais na hora de digitalizar. O ambiente industrial ainda apresenta condições difíceis de trabalho, como longas jornadas e salários iniciais baixos, o que dificulta a permanência dos jovens. Outro ponto é a falta de oportunidades de crescimento dentro das empresas”, afirmou.
Na sequência, José Roberto Squinello, sócio proprietário da Squinello & Prado Consultoria complementou a análise, destacando que parte da defasagem de mão de obra também é fruto de uma desconexão entre programas governamentais e a formação profissional.
O terceiro painel discutiu o “Potencial de crescimento e risco Brasil na industrialização”. Para Leo de Castro, CEO da Fibrasa, o país precisa reconhecer a indústria como vetor central de desenvolvimento. “Um país de renda média alta é um país industrializado. A sociedade reconhece a força do agro, mas a indústria também é fantástica e precisa ser valorizada. Recentemente o país passou a ter uma política industrial, antes disso vivíamos apenas nos defendendo. É hora de usar a indústria como motor de conhecimento e inovação”, afirmou.
Em contraponto, Lirio Albino Parisotto, fundador e presidente da Videolar-Innova, destacou a necessidade de competitividade e cautela. “O mercado brasileiro é difícil de entrar e ainda mais difícil para sair. Precisamos garantir produto e matéria-prima competitivos, porque só com custo adequado poderemos enfrentar a concorrência global”, disse.
Já Carlos Fadigas, fundador da CF Partners, reforçou a importância da escala. “Sem escala, não conseguimos competir em um mercado cada vez mais exigente e globalizado”.
Protecionismo
Na sequência, Verônica Lazarini Cardoso, diretora na área de Economia do Direito da LCA Consultoria, trouxe uma análise sobre os efeitos das medidas de protecionismo norte-americanas na indústria brasileira. “O chamado tarifaço tem como discurso a defesa da indústria local, mas pode impactar empresas americanas instaladas no Brasil. Observamos em julho um aumento das exportações, seguido de uma queda de quase 20% em agosto. Ainda é cedo para tirar conclusões, mas já é possível perceber o esforço das empresas brasileiras em escoar suas exportações diante desse cenário”, avaliou.
O encerramento do evento contou com a palestra de Fabio Da Silva Santos, da Braskem, que falou sobre os “Rumos do excedente global de resinas e a transformação da petroquímica no Brasil”, contando que a petroquímica tem trabalhado para soluções de desafios no país e em nível global, convertendo a sua produção do gás, usando etanol e trabalhando com fontes renováveis.
Para Roriz, o seminário cumpriu seu propósito de estimular o debate sobre o presente e o futuro da indústria brasileira. “Vivemos um momento em que a indústria brasileira enfrenta entraves e, ao mesmo tempo, oportunidades trazidas por inovações tecnológicas, mudanças regulatórias e transformações no cenário global. Reunir líderes e especialistas para discutir esses temas é fundamental para que toda a cadeia produtiva do plástico e setores industriais correlatos possam se preparar e se posicionar diante dos desafios e avanços que impactam o futuro da competitividade”, afirmou.
Fonte: ABIPLAST em 17/10/25