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LOGÍSTICA INDUSTRIAL: UM FATOR DECISIVO PARA O CRESCIMENTO ORDENADO

 

Por Jorge A. Acurio Zavala 

O crescente grau de competitividade motiva as empresas ao constante aperfeiçoamento na logística, seja para atingir os objetivos do planejamento estratégico ou, simplesmente, para a sobrevivência em mercados locais ou globalizados.

No passado considerava-se logística, simplesmente o fato de levar um produto em quantidade certa, ao lugar adequado, no tempo correto e no menor custo possível.

Atualmente, tornou-se um dos requisitos básicos na contínua luta das empresas para se tornarem competitivas.
Essa atividade vem sendo constantemente redefinida e está se transformando em um sistema extremamente complexo, tanto que, muitas empresas estão implantando departamentos específicos dedicados a esta área.

Se assumirmos que o papel do mercado é estimular a demanda, o papel da logística será precisamente satisfaze-lo.

Somente por meio de uma análise detalhada da demanda é possível determinar o ponto de partida da atividade logística para atender tal demanda.

ATIVIDADES CHAVE DA LOGÍSTICA

Entre os procedimentos inerentes à logística estão: o gerenciamento estratégico de aquisição, movimentação, armazenagem e distribuição de materiais/produtos; a gestão dos inventários; o processamento de pedidos; o fluxo de informações e a excelente prestação de serviço ao cliente, determinando e coordenando: o produto certo, o cliente certo, o lugar certo e o tempo certo.

Esse conjunto de atividades de todo o processo logístico consegue a redução de custos, a maximização da rentabilidade presente e futura da empresa e a grata satisfação do cliente.

A definição tradicional da logística afirma que o produto ganha o seu valor quando o cliente o recebe no tempo e na forma certa, ao menor custo possível.

 

EXTENSÃO DA LOGÍSTICA

Além das atividades acima citadas, existem outras que exigem a atenção do setor logístico da empresa, tais como: altos níveis de eficiência e desempenho, aumento da linha de produção e desenvolvimento de sistemas de informação.

Para atender a cadeia de suprimentos que mantém cada vez menos inventários, torna-se necessário ampliar a visão gerencial e a gestão logística, coordenar de forma ótima todos os fatores que influenciam na atividade de compra (qualidade, preço, embalagem, distribuição, proteção, confiabilidade e serviço), e desenvolver mecanismos de planejamento das atividades internas e externas convertendo a logística em um modelo, incrementando a competitividade a fim de enfrentar o desafio da globalização.

 

IMPLICAÇÕES DO SERVIÇO AO CLIENTE NA LOGÍSTICA INDUSTRIAL

Na logística industrial a prestação de serviço ao cliente requer:

• Grau de certeza:

O importante é cumprir o compromisso assumido fazendo a entrega do produto. Portanto, todo compromisso assumido deve comprometer o fornecedor interno ou externo de matéria-prima, almoxarifado, produção e expedição da empresa para atender ao cliente no prazo e na quantidade.

• Grau de confiabilidade:

Uma cadeia de suprimentos é configurada por diversos elos que determinam a cadeia logística. Se forem agregados e/ou suprimidos alguns elos, segmentam-se as responsabilidades e o cliente final perde a confiabilidade, pois a possibilidade de ocorrerem erros de interpretação é maior e os responsáveis serão dificilmente identificados.

O cliente deve manifestar quais os critérios de confiabilidade que necessita e como devem ser atendidos. Assim sendo, todos os fornecedores de componentes que fazem parte do composto (produto) devem ser conhecidos, pois qualquer atraso compromete o produto no prazo e na quantidade, possibilitando identificar os responsáveis e ter o domínio do momento exato para o atendimento ao cliente, rastreando onde aconteceram os desvios do processo.

 

• Grau de flexibilidade:

]Quando um operador logístico considera que a solicitação de eficiência é excessiva, desconhece o valor de seu cliente.
O grau de flexibilidade implica que o prestador de serviços deve se adequar aos picos da demanda.

Na prática, quando a demanda está em alta, a flexibilidade da produção deve atender às necessidades do cliente, independentemente da logística de transporte.

Porém, se esta não for competente no gerenciamento de suas atividades, poderá interromper o fluxo do material e prejudicar a entrega ao cliente.

 

• Aspectos qualitativos:

A qualidade do serviço deve buscar homogeneidade em toda a cadeia de suprimentos.

Em alguns casos é necessário um cuidado minucioso no processo produtivo, projetando com muita atenção a embalagem e especificando como deve ser o transporte e armazenamento. São poucas as empresas que cuidam de como os seus produtos são entregues aos seus clientes finais. Portanto, devem ser verificados: o estado da embalagem, a documentação, as etiquetas de identificação, o aviso de expedição, a quantidade por embalagem. A falta de atenção a esses pontos identifica um serviço inadequado, ou seja, de má qualidade logística.

 

• Melhoria Contínua:

Diariamente devem ser questionados os parâmetros que não estão mais em conformidade com os objetivos traçados. Além disso, aqueles que estão em conformidade com os objetivos planejados devem ser questionados.

É muito mais saudável questionar internamente o que aparentemente está em conformidade, do que esperar que o questionamento venha do mercado. A melhoria das variáveis da logística deve ser entendida como uma exigência.

A distribuição física e a gestão de materiais são processos que se integram à logística, tendo um direito inter-relacionamento.
O primeiro fornece aos clientes um nível de serviço requisitado por eles, otimizando os custos de transporte e armazenamento desde os postos de produção até os postos de consumo, melhorando assim os custos do fluxo de materiais desde os fornecedores até o cliente final com o critério Justo A Tempo – JAT (Just in Time – JIT).

O JAT faz parte das atividades de logística. É uma filosofia de administração onde todo o esforço é de eliminar os desperdícios que resultam de alguma atividade que gera custos, mas não agrega valor ao produto. Os componentes da gestão logística começam com a entrada de materiais (matéria-prima), recursos humanos, recursos financeiros e sistema de informação.

Estas atividades se complementam com as gerenciais, as quais conjugam as entradas e saídas dos produtos, obtendo assim um dos principais benefícios de uma boa gestão logística.

 

REQUISITOS PARA IMPLANTAÇÃO

As exigências básicas para a implantação da gestão logística adequada à empresa são:

• Liderança:

Capacidade dos que detém o conhecimento, de transmiti-lo aos colegas.

• Existência formal de uma organização logística:

Deve constar no organograma da empresa a existência do setor.

• Logística gerencial:

Permite visualizar hierarquicamente o responsável pela atividade logística.

• Conceito do valor agregado:

A matéria-prima bruta não tem valor agregado, mas a partir do seu beneficiamento adquire valor pela adição de mão-de-obra, componentes e outros.

• Orientação ao cliente:

Quando o cliente solicita um pedido, determina prazo, quantidade e local de entrega, que devem ser atendidos com a maior acertividade possível, garantindo um bom serviço prestado.

• Alta flexibilidade para situações inesperadas:

Sempre que houve um pedido suplementas, devem ser utilizadas todas as ferramentas da logística (lote econômico, balanceamento de carga, análise de fluxo, análise do tempo de escoamento, troca rápida de ferramental, etc.) para atender ao cliente, comprometendo inclusive seus fornecedores da cadeia produtiva.

• Foco no planejamento logístico:

É importante priorizar o planejamento logístico em relação ao operacional, planejando as necessidades de matéria-prima junto aos fornecedores, com horizontes de tempo e determinando o consumo dos materiais. Dessa forma estarão sendo construídas alianças fortes com clientes e fornecedores.

Na gestão da logística são os sistemas de informação que mantêm o fluxo aberto. Portanto a Tecnologia da Informação – TI, é um dos fatores de maior importância para o crescimento e desenvolvimento da logística. O sistema dá ordens e é o elo entre as empresas, seus fornecedores e clientes.

Sendo assim, como qualquer outro recurso empresarial, deve ser submetido a uma pesquisa na busca daquele que melhor se adapte às suas necessidades.
A logística repercute na inter-relação empresarial interna e externa, e no mercado mundial. Essa repercussão deve ser enfrentada pelas empresas que a praticam.

Assim sendo, toda empresa deve planejar de que forma atuará junto aos seus clientes e fornecedores (internos e externos) devendo ficar explícito que qualquer serviço de má qualidade afeta a logística em todo o processo, repercutindo de forma negativa no ambiente globalizado.

SEQUENCIA DAS ATIVIDADES


Figura 1 – Ciclo de logística em atividade industrial

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A figura 1 mostra as 18 etapas do fluxo da logística em uma industria, a saber:

 

1 – Fornecedores:
Estão enquadrados os fornecedores de matéria-prima (MP), componentes e itens, que dão início ao processo.

2 – Inspeção na recepção:

São avaliadas as condições técnicas do produto recebido. Se a qualidade não for conforme, a MP segue o fluxo dos itens rejeitados, sendo devolvida à etapa 1.

3 – Inventário de matéria-prima:

É criado esse inventario para evitar rupturas no processo produtivo, e também no inventario da etapa 5.

4 – Fabricação:

O processo de fabricação é desenvolvido, podendo ser uma linha de fabricação bem como uma linha de montagem, que necessita ser abastecida pelos insumos das etapas 3 e 5.

5 – Inventário de componentes comprados:

É gerado juntamente com o inventário da etapa 3.

6 – Inventario de manufatura:

Deve ser gerado após a fabricação, se existir uma montagem ou sub-montagem de um composto, evitando paradas por falta de materiais.

7 – Submontagem de composto:

Acontece após os inventários das etapas 5 e 6 serem gerados.

8 – Inspeção e testes:

Consiste na verificação da qualidade do produto.

9 – Re-trabalho:

Em caso de detecção de uma não conformidade, é necessário fazer um re-trabalho, gerando custos e consumo de peças que não estavam previstos. Parte dessas peças pode ser oriunda da etapa 10.

10 – Inventário de peças de reposição e de reparo:

Este inventário é importante para permitir o controle estatístico das peças que têm maior incidência de re-trabalho e podem dar ruptura no processo.

11 – Inventário final de componentes de submontagem:

Neste ponto do processo produtivo é fundamental a verificação completa dos itens da ordem de fabricação necessários para atender ao cliente interno.

12 – Montagem final:

Após esta etapa encerra-se o processo produtivo.

13 – Inspeção e teste do sistema:

Verificação técnica da qualidade do composto conforme os padrões silicitados pelo cliente.

14 – Re-trabalho:

Ocorrendo novamente algum desvio do planejado, o processo recorre ao re-trabalho e ao inventario de peças de reposição e de reparo da etapa 15.

15 – Inventário de peças de reposição e peças de reparo:

O produto aprovado é encaminhado para a próxima etapa.

16 – Inventário de produto final:

Consiste na contagem das peças ou compostos para disponibilizar a quantidade solicitada pelo cliente.

17 – Expedição:

Estão as atividades de embalar, transportar e distribuir o produto até os locais finais.

18 – Operação do usuário:

O produto é recebido pelo cliente final.

LOGÍSTICA NAS FERRAMENTARIAS:

A aplicação dos conceitos expostos acima, em empresas do segmento de ferramentarias, é fundamental para enriquecer o profissionalismo do setor.

Constantes reclamações de clientes conduzem à identificação de que o maior entrave na fabricação de ferramentas é o cumprimento dos prazos de entrega. Em segundo plano vem a qualidade do atendimento pós-venda. Portanto, o foco na logística industrial contribuirá significativamente para a redução destes conflitos, uma vez que obriga o controle detalhado de todas as fases do processo produtivo, permitindo informações para o atendimento das diversas fases intermediárias do processo.

Deve haver uma atuação forte e impactante no critério grau de certeza, informando imediatamente toda a cadeia produtiva, inclusive os fornecedores externos, sobre o pedido em andamento, reduzindo qualquer possibilidade de atraso no processo de fornecimento de insumos.

Também o critério grau de confiabilidade deve ter atenção especial, com avaliações periódicas da cadeia de fornecedores internos e externos, permitindo a rastreabilidade do processo.

No setor de ferramentarias, por ser um segmento essencialmente de fabricação por encomenda, há constantes variações no ciclo de encomendas do cliente. Portanto, o grau de flexibilidade para o atendimento destas necessidades do usuário final é ponto determinante de sucesso. Quanto maior a competência da empresa em absorver as variações de mercado, tanto maior terá sua chance de sobrevivência.
A aplicação da técnica JAT, em empresas deste segmento, permite uma redução substancial no custo de estoques, uma vez que os valores dos insumos são, geralmente, bastante elevados.

Finalmente, a evolução dos sistemas de tecnologia da informação tem permitido um grande salto no atendimento às necessidades do cliente, desde o inicio do processo, quando são elaborados os projetos, orçamentos e propostas, passando pelo processo produtivo com os controles em tempo real e encerrando com a entrega do produto final.
Ou seja, a implantação de sistema de informação eficiente contribui com a melhoria do nível de satisfação do cliente.

Por fim, é praticamente impossível uma empresa sustentar-se nesta atividade industrial, sem introduzir firmemente na cultura da equipe o conceito de satisfação do cliente. A preocupação com o pós-venda é necessária para transmitir ao usuário final a certeza de que, adquirindo um produto da sua empresa, terá suporte técnico e comercial por um longo período, gerando alto nível de satisfação e, por conseqUência, fidelização do cliente.

 

Jorge A. Acurio Zavala – Engenheiro Químico; MBA em Logística Empresarial; Consultor exclusivo da RENAULT/NISSAN e Formador de pilotos dos seus fornecedores, em Avaliação e Melhoria da Qualidade Logística (EAQL); Consultor de Logística Industrial e Consultor sênior da Zavala Assessoria LTDA.

 

 

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