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DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS: INSERÇÃO DA FERRAMENTARIA NO PROCESSO

 

Por: Dante Luzi Pacini Neves

Cresce a cada dia a necessidade de envolvimento do construtor da ferramenta no processo de definição de um novo produto. Esta inserção possibilita substanciais ganhos na redução do custo do projeto e do tempo de lançamento do produto para o mercado consumidor.

É fácil explicar os novos processos de desenvolvimento de produto. Basta avaliar os procedimentos já utilizados no mercado que utilizam definições como: escopo, detalhamento do escopo, planejamento, desenvolvimento, implantação, acompanhamento dos resultados de cada fase, apresentação dos resultados alcançados para os financiadores internos e/ou externos do projeto (“Sponsors”), solicitação de aprovação das fases, registro de todos os eventos e, ao final do processo, encerramento do projeto com validação dos resultados alcançados. Todo este processo serve para realimentar os próximos desenvolvimentos, na forma de ciclos, que utilizam um banco de dados único, com foco em melhorias contínuas dos processos e produtos.

O que não está escrito é: qual é o papel das ferramentarias neste contexto? Qual o perfil da empresa que é desejado para as novas necessidades; qual a estrutura exigida para os processos e que tipo de relacionamento se faz necessário entre contratante e contratada durante o projeto (acreditando que as relações de trabalho sejam baseadas em contratos firmados entre as partes)? “Para o sucesso do projeto de desenvolvimento de produtos, existe a necessidade de atuação de todos os participantes do processo”.

Vamos voltar no tempo para entender melhor a situação: nas estruturas organizacionais existiam as figuras dos especialistas em cada assunto e em cada área de trabalho (“experts”). Nestas estruturas organizacionais, principalmente multinacionais ou empresas montadoras de produtos de produção seriada, o custo operacional era alto e as despesas com treinamento e formação dos profissionais também. Postura esta assumida pelas empresas para manter sob controle todo o processo produtivo de desenvolvimento do produto e, nesta situação, participar em um mercado protecionista, onde poucas empresas atuavam nos específicos ramos de atividades.

Com a inflação em alta e o baixo valor do recurso financeiro, os insumos e os produtos acabados eram valorizados no mercado, favorecendo essas ações.

Com o acirramento da economia de mercado, o tão conhecido fenômeno da globalização, surgiram novos concorrentes (“players”) no mercado. Fatores econômico-sociais como a queda da inflação, a alta de juros, os baixos salários e as ações governamentais relativas a impostos e exigências mercadológicas, foram obrigando as empresas a se tornarem mais flexíveis à mudanças, mais rápidas para as tomadas de decisões e ações e, principalmente, a trabalhar com custo baixo (Salários menores, processos mais inteligentes, estruturas organizacionais mais enxutas, sinergia de atividades entre outras exigências não menos importantes).
Com um forte reflexo nas instituições, as áreas técnicas também tiveram que se adequar à nova realidade e as figuras dos especialistas nas empresas foram as primeiras a serem atingidas, principalmente nas áreas com pouca identidade com o negocio (foco da empresa).

Com esta mudança, as estruturas de engenharia das empresas começaram a adotar as experiências e o conhecimento (“know-how”) das outras áreas para atuarem durante o processo de desenvolvimento de produtos e, com isto, utilizar toda a estrutura organizacional da empresa para atingir as metas de qualidade, custo e prazo do projeto com foco no mercado e negócio. Este fato caracterizou uma alteração no comportamento das áreas e profissionais, onde as atuações passaram a ser monitoradas em forma de processo entre as várias áreas, deixando de lado as estruturas hierárquicas e passando para o conceito de estruturas matriciais.

É nesta hora que entra a figura da ferramentaria. Esta faz parte do processo, apesar de comumente ser um terceiro contratado, e tem que participar ativamente durante as fases de desenvolvimento (viabilidade e estrutura de projeto), execução das ferramentas e finalização dos projetos.

O Diagrama 1, apresentado a seguir, mostra um exemplo do fluxo de desenvolvimento de produtos onde estão destacados em azul as etapas em que entra a experiência e conhecimento do construtor de ferramentas.

É possível perceber que já na Fase 1, Escopo e Planejamento, o pré-estudo de rentabilidade e a análise de suprimentos com os possíveis fornecedores habilitados, concomitante com a avaliação de prazos, é ponto crucial para a continuação do processo de decisão do lançamento ou não de um produto.

Na fase 2, desenvolvimento, o processo evolui com a análise mais detalhada da rentabilidade, a identificação mais criteriosa dos possíveis fornecedores e a análise critica de métodos e falhas (“FMEA”), selando finalmente com a reavaliação dos cronogramas do projeto. A fase 3, fechamento do projeto de produto, é determinante para o sucesso do projeto do produto como um todo. Neste instante passam a ser definidos os parceiros construtores definitivos, com a formalização dos contratos de desenvolvimento, a determinação final do cronograma macro e novamente revisada a rentabilidade do projeto como um todo.

A fase 4, execução e homologação, passa agora para a operacional, onde serão efetivamente inseridos os esforços materiais do projeto. Aqui a homologação do produto e o lote de produção deverão estar consolidados. Procede então ao fechamento do FMEA, dos cronogramas e dos documentos técnicos do projeto. Na ultima etapa, a fase 5, otimização e fechamento, é procedida a avaliação final e que culmina com o fechamento formal do projeto, com os dados de acompanhamento de campo e fechamento das ações corretivas e preventivas nas ferramentas, no processo de fabricação e no produto lançado.

É clara a importância no setor de desenvolvimento de ferramentas, uma vez que, com a participação desde a Fase conceitual do produto, podem ser evitados diversos custos que, de outra forma, só seriam identificados na fase de construção. Por exemplo, podem ser citados problemas de executabilidade da ferramentas devido a geometrias complexas que, se viáveis de ser fabricadas, poderiam ser fortemente simplificadas objetivando reduzir o custo inicial da ferramenta, bem como o custo de sua manutenção.

O construtor de ferramentas deverá atuar de forma integrada com as outras áreas da empresa e com os parceiros terceirizados para uma melhor harmonia do projeto, sendo responsável pela implementação de novas tecnologias, novos processos, atualizando a equipe para as inovações mercadológicas que o mundo está aplicando. As ações devem estar focadas nos parâmetros do projeto, definidas nas fases iniciais e assumidas por todos os integrantes do processo de desenvolvimento de produto.

Com esta atuação, todos poderão trazer frutos na cadeia produtiva, onde, quanto mais o produto vender, maior vai ser a necessidade de produção e maior será a necessidade de novas ferramentas e máquinas para atender a demanda do negócio.

Vale enfatizar o perfil de trabalho que as empresas montadoras desejam de suas ferramentarias: parceria, dedicação, inovação, sugestões de melhorias (com foco no escopo ou metas do projeto) e comprometimento com os resultados e com os parceiros do processo.

As ferramentarias, neste mundo onde prazo, custo e qualidade são importantes para a sobrevivência do negócio, devem sempre considerar que elas pertencem a uma equipe, caracterizada e formada pelo processo de desenvolvimento de produto para atender o mercado, principal motivo das ações de todos os envolvidos e, finalmente de suas existência.

Dante Luzi Pacini Neves – Engenheiro mecânico pleno-FEI, com especialização em administração Industrial pela USP. Cursos de capacitação em gestão estratégica de custos (FGV – SP) e gestão de projetos ( USPe fundação Vansolini).

Fonte Revista Ferramental

 

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