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RECICLAGEM DE PLÁSTICOS TERMOFIXOS


Os plásticos termofixos possuem uma estrutura molecular interligada, de ligações cruzadas.

Uma vez aquecido, este tipo de material não amolece e, portanto, não pode ser moldado novamente em um novo artefato.

Trata-se de materiais muito resistentes e capazes de suportar temperaturas elevadas, mas freqüentemente tratados com aditivos como retardantes de chama e reforços como vidro ou fibra de carbono.

Isso gera mistura complexas dificilmente separáveis que impedem a sua reutilização e reciclagem.

A maior parte dos computadores e dispositivos eletrônicos em comércio é revestida com plásticos não recicláveis.

Principalmente no setor da eletrônica, é muito comum o emprego de plásticos termofixos como a borracha e a baquelite, empregada, por exemplo, em tomadas elétricas e no embutimento de amostras metalográficas.

Os plásticos termofixos são largamentes empregados na produção de objetos como telhas translúcidas, revestimentos para aparelhos telefônicos e orelhão.

Pensando nisso, os pesquisadores de departamentos de engenharia química da universidade holandesa de Groningen desenvolveram um novo material plástico reciclável para o componentes eletrônicos.

 

Produtos feitos com Baquelite.

A equipe coordenada pelo professor Antonius Broekhuis conseguiu obter um produto que pode ser fundido e remodelado sem perder a sua rigidez original e a sua resistência ao calor.

No artigo intitulado Thermally Self-Healing Polymeric Materials: The Next Step to Recycling Thermoset Polymers? , o professor holandês explica que o material é constituído por um composto aromático à base de furano funcionalizado e da resina bismaleimida, alternando policetonas termofixas (PK-furano) e bis-maleimida, utilizando a sequência de reação Diels-Alder (DA) e retro-Diels-Alder (RDA) a 1580°C.

A essa temperatura, as ligações químicas se desintegram e o plástico assume a forma líquida, podendo ser submetido a uma nova reação.

‘’ O processo pode ser repetido várias vezes sem a perda das propriedades mecânicas, o que garante a reciclagem completa do material plástico, muitas vezes impossível em polímeros termofixos’’, sustenta a equipe.

A ligação cruzada PK-furano é autorregenerante termicamente.

Este fato também é demonstrado pela compressão e moldagem de pequenos grânulos do polímero a uma temperatura elevada que oscila entre 110°C e 150°C, com um tempo de processamento entre 10 e 30 minutos.

Quando exposto ao calor, os polímeros revelam propriedades típicas dos termoplásticos como refusão, reprocessabilidade e reciclagem.

Em seguida, à temperatura ambiente, pode ser obtida uma rígida rede estrutural polimérica.

Neste processo, as cadeias do polímero são capazes de reorganizar-se e, portanto, remodelar-se de acordo com a forma desejada.

Para os pesquisadores, as técnicas de reciclagem envolvem procedimentos mecânicos como técnicas para trituração, que utilizam os materiais moídos como reforço em um novo composto termofixo, ou ainda o processamento térmico para recuperar matérias-primas e estas não são as melhores escolhas do ponto de vista econômico e também ambiental.

‘’O nosso sistema representa uma nova alternativa para a reciclagem de polímeros termorrígidos porque o material pode ser reutilizado várias vezes e reparado, além do seu custo reduzido.’’

Os pesquisadores não consideram esta tecnologia uma substituta definitiva dos materiais termofixos, mas um ponto de partida importante para estudos futuros sobre este tema.

‘’Esperam-se que, os estudos sobre materiais autorregenerantes evoluam para uma nova etapa, como, por exemplo, a reciclagem de plásticos termofixos e compósitos’’, graças à decisiva pesquisa holandesa, iniciativas similares poderão descobrir novas fronteiras no que se refere à reciclagem de termofixos.

Obviamente, os estudos representam um grande passo para o futuro da reciclagem.

‘‘Desenvolvemos um material polimérico termicamente autorregenerante utilizando um método simples e eficiente, já que policetonas podemser facilmente convertidas em derivados de furano em grândulços, sem a necessidade de catalisador ou de um solvente; além disso, as policetonas furano funcionalizadas podem ser cruzadas e descruzadas repetidamente com a bismaleimida, usando apenas o calor como estímulo extremo’’; concluem os pesquisadores.

Fonte: Pesquisa na Revista Plástico Moderno nº 421

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